27.324.454.210 ou, para simplificar, 27,3 mil milhões de coroas norueguesas. É este o valor que o fundo soberano da Noruega tem de investimento em Portugal. Nunca teve tanto dinheiro aplicado por cá. Mas onde investe o maior fundo soberano do mundo?
O fundo apresentou esta terça-feira as suas contas aos cidadãos noruegueses, que são quem vão beneficiar quando forem para a reforma e receberem a sua pensão de lá.
O primeiro semestre trouxe uma rentabilidade de 13% à boleia da subida das bolsas e já conta com mais de 2 biliões de euros de ativos sob gestão, incluindo nas maiores companhias do mundo, como a Nvidia, Apple ou Microsoft. Mas o Norges Bank também investe em Portugal. É até um dos maiores investidores institucionais da bolsa nacional e também compra dívida pública portuguesa e dívida das empresas e bancos portugueses.
Ler maisFundo da Noruega ganha 9,4% e supera 2 biliões em ativosNo final de junho, esse investimento ascendia a 27,3 mil milhões de coroas norueguesas, que representa o valor mais elevado desde que começou a investir no país, superando o ano de 2008, quando a exposição era de quase 25 mil milhões em plena crise financeira global — em 2012, na crise da troika, não chegava a 7 mil milhões de coroas norueguesas.
Abre-se um parêntesis: se incluirmos o fator cambial, ou seja, se convertermos o investimento do fundo norueguês em euros ao longo dos anos, o ano com a maior exposição é de 2007, quando tinha 2,67 mil milhões de euros aqui investidos, contra os 2,4 mil milhões atuais.
Ainda assim, da perspetiva dos noruegueses, o que é certo que nunca tiveram tanto dinheiro investido em Portugal.
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Mas onde é que o fundo investe?
Nos seis primeiros meses do ano, a carteira portuguesa do fundo soberano da Noruega cresceu 32%, ‘engordando’ 6,6 mil milhões de coroas norueguesas (670 milhões de euros).
O portefólio conta com 16,3 mil milhões de coroas norueguesas (1,4 mil milhões de euros) investidos em títulos de dívida (representa 60% da carteira em Portugal) e mais de 11 mil milhões de coroas norueguesas (973 milhões de euros) em ações do PSI (com um peso de 40%). Não tem imobiliário, outro dos setores onde também investe, embora esteja juntamente com a Sonae a avaliar a compra de shoppings em Portugal após um mega negócio em Espanha.
Ler maisSonae e noruegueses avaliam compra de shoppings em PortugalAs informações disponibilizadas permitem perceber que, durante o primeiro semestre, o Norges Bank reforçou a sua posição em duas cotadas: EDP e Jerónimo Martins. No caso da elétrica nacional passou de uma participação de 1,81% no final do ano passado para 2,13%, que se encontra avaliada em mais de 400 milhões de euros – é o maior investimento em termos individuais. Quanto à dona do Pingo Doce, aumentou a sua participação de 0,29% para 1%, mais 0,71 pontos percentuais.
Nas restantes seis cotadas houve um ligeiro desinvestimento, à exceção da Nos, onde não houve alteração da posição de 0,8%. No BCP e na Galp tem posições avaliadas em 178 milhões de euros e 119 milhões, respetivamente.
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900 milhões em dívida pública
Além do PSI, o fundo também investe em dívida nacional. No final de junho, a carteira contabilizava 880 milhões de euros em obrigações do Tesouro, mais 320 milhões em relação ao final do ano passado. Tinha ainda uma pequena exposição de 15 milhões em dívida da Região Autónoma dos Açores.
Outros 550 milhões de euros encontravam-se aplicados em dívida emitida por bancos e empresas nacionais, designadamente Novobanco (206 milhões de euros), Santander Totta (122,9 milhões), EDP Servicios Financieros (90,7 milhões), BPI (55,8 milhões), EDP (37,5 milhões) e EDP Finance (31,1 milhões).






