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Em cinco anos, fundador da Zara lucrou até 169 milhões com investimento na REN

Nem os valores da compra nem os da venda foram divulgados, mas cálculos mostram que fundo de Amancio Ortega terá ganho até 169 milhões com participação na REN que vendeu agora ao Estado português.

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O Estado português tem várias razões estratégicas para estar presente na REN, mas também há outra, explicou o primeiro-ministro. “É um bom investimento financeiro”, frisou Luís Montenegro na Festa do Pontal na sexta-feira, no dia em que foi anunciada a compra pela Parpública de uma participação de 13,7% na empresa que gere as Redes Elétricas Nacionais. Os valores da aquisição à espanhola Pontegadea Inversiones não foram divulgados – e já estão a ser pedidos pelo socialistas – mas o cálculo do retorno obtido pelo fundo nos últimos cinco anos dá força ao argumento do líder português.

A opacidade sobre a fatia que está mudar de mãos agora também existiu aquando da transação inicial em 2021 entre a Mazoon (da Oman Oil) e a Pontegadea, o family office que gere a vasta fortuna de Amancio Ortega, fundador da Inditex, dona da Zara. Nessa altura também não foi divulgado o valor dos 12% que os espanhóis compraram aos omanis, mas recorrendo à cotação em bolsa do dia da transação – 12,06 euros por ação – o valor total dos 80,1 milhões de títulos transacionada chega perto dos 190 milhões de euros, valor também referido pelo jornal El País.

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Em relação aos restantes 1,7% que a Pontegadea também vendeu agora à Parpública, não há números concretos divulgados, mas sabe-se que foram comprados na segunda metade de 2025, um período no qual as ações da REN negociaram entre 3 e 3,4 euros por ação, o que faz com que o valor do novo lote de ações adquirido se situou atualmente entre os 30 e os 38,5 milhões de euros, noticiou na altura a agência Europa Press.

Somando o investimento inicial com o valor mais alto do patamar do custo do reforço da posição, a mais-valia da Pontegadea com as ações da REN terá sido de 96,2 milhões de euros. Utilizando o limite mínimo no investimento do reforço, esse retorno sobe para 104,7 milhões.

Amancio Ortega, presidente e fundador da Inditex

Montenegro destaca dividendo

Não se sabe se o Governo espera alguma vez cristalizar este tipo de mais-valia com a REN, até porque a explicação de Luís Montenegro sobre a atratividade da empresa liderada por Rodrigo Costa centrou-se na remuneração acionista regular. “Esta é uma empresa que tem dado aos seus acionistas um dividendo que remunera o capital em cerca de 4,5% ao ano“, afirmou o governante. “Ora, nós pagamos juros ali à volta de 3%, portanto esta aplicação também vai ter um retorno financeiro”.

A REN declara, na página de relações com investidores, que “tem vindo a proporcionar um rendimento estável e atrativo aos seus acionistas”, sem grandes surpresas pois as redes elétricas em bolsa são tradicionalmente dividend plays, ou seja, ações através das quais o investidores esperam retirar rendimentos regulares e seguros, quase como obrigações, e não tanto beneficiar com o trading feito com a negociação de ações.

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O family office de Ortega também beneficiou, claro, desse dividendo da REN, que foi de 0,154 euros por ação nos exercícios de 2021, 2022 e 2023, subindo depois para 0,157 euros para o de 2024 e 0,16 euros no de 2025. No total, em cinco anos a Pontegadea terá recebido 64,3 milhões de euros em dividendos da cotada portuguesa.

Com base nestes cálculos, e apesar da ausência de divulgações mais informativas sobre as transações, pode-se concluir que a Pontegadea Inversores teve um ganho total de entre 160,5 milhões de euros e 169 milhões antes de impostos., ou seja, entre um retorno entre 70% e 77% face ao investimento.

Tal como muitas family offices, a do magnata Amancio Ortega é bastante discreta – não tem um site ou contacto de relações com investidores e os gestores falam pouco sobre as motivações das opções de investimento. A venda da participação na REN pode ter como motivo o aproveitar de uma oportunidade rentável ou outro que não foi comunicado, mas não parece ser uma opção estratégica de recuar no setor da energia.

Criada a partir de 2019, o portefólio de energia inclui 5% na Enagás, 5% da Redeia (a congénere espanhola da REN), 49% de ativos de energia solar da Repsol e de renováveis da francesa EDF. Na véspera do anuncia a venda da participação na REN; a Pontegadea comprou, por 1,07 mil milhões de dólares, 15% da australiana Qube Holdings, que embora não esteja diretamente envolvida no setor da energia, funciona na mineração, transporte e logística de commodities.

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