As perspetivas de um acordo que permita reabrir o Estreito de Ormuz continuam a deteriorar-se. Novos ataques contra navios no Golfo de Omã e no estreito de Bab el-Mandeb, ao mesmo tempo que os Estados Unidos e o Irão endurecem as respetivas posições nas negociações, reforçam a instabilidade nas duas principais rotas marítimas do Médio Oriente.
No estreito de Bab el-Mandeb, à entrada do Mar Vermelho, um navio de carga de propriedade egípcia foi atacado pelos rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão. Segundo as autoridades iemenitas, morreram quatro tripulantes e dois elementos das equipas de resgate, naquele que será o primeiro ataque mortal contra navios mercantes desde o início da guerra, noticia a Reuters.
Ler maisOrmuz continua fechado. O que separa EUA e Irão de acordo?Os Huthis assumiram posteriormente a responsabilidade pelo ataque, alegando que o navio transportava equipamento militar saudita. Em julho, o grupo rebelde do Iémen aliado de Teerão anunciou um bloqueio naval à Arábia Saudita.
Em paralelo, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que um helicóptero militar da Marinha norte-americana disparou um míssil contra o navio “Vela Nova”, com bandeira do Panamá, inutilizando o sistema de governo da embarcação. A embarcação ignorou ordens para interromper a navegação em direção a um porto iraniano, violando o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
Apesar do impasse, Donald Trump voltou a afirmar que “os Estados Unidos controlam totalmente o Estreito de Ormuz” e garantiu que Washington está “numa posição muito forte” face ao Irão.
Ler maisIrão endurece termos para Ormuz. Trump muda estratégia“Nós controlamos totalmente o Estreito de Ormuz. Mais ninguém, só nós. A nossa Marinha é incrível e as coisas estão a correr muito bem para o nosso país”, assinalou o presidente dos EUA, citado pela agência noticiosa.
As declarações contrastam com a posição de Teerão, que continua a afirmar deter capacidade para impedir a circulação marítima na região e condiciona qualquer reabertura à aceitação das suas exigências políticas e económicas.
Ormuz permanece praticamente parado
A crise no Médio Oriente continua a afetar significativamente o tráfego marítimo. Antes da guerra, cerca de 130 a 140 navios atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz, responsável por aproximadamente um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Dados compilados pela Reuters revelaram que, desde o início do conflito, esse número caiu para pouco mais de uma dezena de embarcações por dia. Também no Mar Vermelho, o tráfego continua bastante abaixo dos níveis habituais devido aos ataques dos Huthis.
Ler maisEUA atacam navio que tentava furar bloqueio a portos do IrãoA Agência Internacional da Energia (AIE) reviu em baixa a previsão sobre a oferta e a procura mundial de petróleo para o resto deste ano, na sequência do conflito e da subida acentuada dos preços dos hidrocarbonetos.
No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, publicado esta quarta-feira, a organização salientou que a crise no Médio Oriente reduziu as reservas mundiais em 69 milhões de barris (mb) em julho, ficando abaixo dos 7.900 mb pela primeira vez desde abril de 2025. Desta forma, a AIE sublinhou que é necessário garantir que esta via estratégica seja reaberta o mais rapidamente possível.
Os novos ataques levaram as exportações dos países da região de Ormuz a diminuir em 2,1 mb/d em julho, ficando numa média de 15 mb/d. Passaram de 20 mb/d no início do mês para cerca de 12 mb/d no final de julho.






