Um helicóptero militar norte-americano disparou esta terça-feira contra um navio de bandeira panamiana, quando tentava furar o bloqueio naval imposto ao Irão, segundo fonte das autoridades de Washington citada pelo The Wall Street Journal.
A mesma fonte relatou que o helicóptero alvejou o leme do navio depois de a tripulação ter ignorado os avisos de que estava a violar o bloqueio naval reatado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de julho, após o colapso do cessar-fogo acordado no mês anterior com o Irão
Ler maisOrmuz continua fechado. O que separa EUA e Irão de acordo?O The Wall Street Journal referiu que, horas antes, a empresa de segurança marítima Vanguard informou que um navio porta-contentores panamiano chamado “Vela Nova” tinha sido atingido por um míssil, quando navegava no golfo de Omã na direção oeste, a cerca de 71 milhas náuticas (131 quilómetros) da costa do Paquistão.
Até ao momento, nem o Departamento de Defesa dos Estados Unidos nem o Comando Central das forças norte-americanas se pronunciaram sobre este caso.
Numa informação preliminar, a Vanguard especificou que “o míssil atingiu a embarcação, provocando um incêndio que foi posteriormente extinto”, e confirmou que todos os 17 tripulantes do “Vela Nova” estavam a salvo.
Ler maisIrão e Omã acordam coordenadas da rota no Estreito de OrmuzA agência britânica de monitorização marítima UKMTO alertou, por sua vez, para um incidente no golfo de Omã envolvendo “um navio cargueiro e forças militares” de um país não especificado.
A agência informou ainda que um navio cargueiro foi atacado esta terça-feira com um projétil no mar Vermelho, junto à costa de Omã, com várias vítimas.
Este novo ataque ocorre numa altura em que Washington intensifica a pressão para tentar paralisar a economia iraniana, depois de a via do diálogo não ter produzido resultados para encerrar o conflito lançado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.
Ataque Huthi a navio provoca quatro mortos
Pelo menos quatro pessoas foram mortas num ataque dos rebeldes Huthis a um navio no estreito de Bab el-Mandeb, anunciaram esta terça-feira as autoridades iemenitas, num momento em que os rebeldes admitiram negociar com a Arábia Saudita.
O Ministério dos Transportes do governo iemenita reconhecido internacionalmente afirmou que entre os mortos se contavam três cidadãos paquistaneses e um indonésio.
Ler maisProjétil atinge cargueiro no mar Vermelho causando vítimasOs Huthis terão disparado três mísseis balísticos contra o navio provocando as primeiras mortes conhecidas resultantes de ataques dos rebeldes à navegação ao largo do Iémen, no âmbito da mais recente onda de combates neste país árabe.
Horas antes, a agência marítima britânica UKMTO tinha reportado um ataque contra uma embarcação na mesma zona e referiu que tinha provocado vítimas, mas sem dar mais detalhes.
Os ataques fazem parte de uma escalada por parte dos Huthis contra as forças governamentais no Iémen e às instalações petrolíferas na vizinha Arábia Saudita — que apoia o governo iemenita —, bem como contra a navegação de Riade no Mar Vermelho.
Os ataques dos Huthis poderão reacender a guerra civil no Iémen, após a trégua de 2022, e abrir uma nova frente na guerra do Médio Oriente.
O principal negociador e porta-voz dos Huthis, Mohammed Abdul-Salam, acusou a Arábia Saudita, numa publicação nas redes sociais, de explorar o cessar-fogo para reforçar o bloqueio aéreo e marítimo que impôs em 2015. Afirmou ainda que os Huthis estão abertos a negociações, mas que qualquer acordo deve incluir o levantamento do bloqueio saudita.
Com o estreito de Ormuz bloqueado pelo Irão, tem havido uma atenção renovada ao Mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Iémen, que constitui uma rota alternativa para a Arábia Saudita exportar o seu petróleo.
O ataque mortal à embarcação ocorreu no contexto de ataques dos Huthis à cidade portuária de Mokha, no Mar Vermelho, controlada pelo governo internacionalmente reconhecido, e a outras áreas do país.






