O Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM) adquiriu sistemas aéreos não tripulados (UAS) da portuguesa Tekever, depois de uma campanha de ensaios e testes operacionais. A aquisição reforça a presença da tecnológica nacional no mercado norte-americano de Defesa, onde a empresa tem vindo a consolidar relações com utilizadores militares e parceiros locais.
Segundo a empresa, os sistemas concluíram com sucesso um programa de ensaios de validação e aceitação, acompanhado por ações de formação específicas e uma extensa campanha de voos em vários locais. O modelo, o número de sistemas adquiridos e a respetiva configuração não foram divulgados, assim como o valor do negócio.
Ler maisMoscovo diz ter abatido "raro drone" português da Tekever“Esta aquisição representa um marco importante numa relação que tem vindo a ser construída ao longo do tempo, através de ensaios rigorosos, de um diálogo aberto e de um foco claro na disponibilização de capacidades operacionais eficazes. Valorizamos muito o profissionalismo e o empenho das equipas do USSOCOM com quem temos trabalhado e esperamos continuar a responder às suas necessidades à medida que evoluem”, refere Ricardo Mendes, CEO da tecnológica nacional, citado em comunicado.
Os drones destinam-se a missões de informação, vigilância e reconhecimento em cenários operacionais exigentes. Cada sistema combina a aeronave com sensores adaptados à missão, equipamentos de comunicação e software com inteligência artificial (IA), permitindo recolher informação através de uma plataforma integrada e autónoma.
Relação com EUA já se consolidava
A fabricante de drones portuguesa já tinha colaboradores nos EUA. Em maio, a Tekever reforçou a sua presença no país com a instalação de um “hub estratégico” em Fayetteville, na Carolina do Norte, para prestar “apoio técnico, coordenação e interação diária com parceiros sediados nos Estados Unidos”.
Ler maisTekever inicia ronda que voa avaliação para 5,5 mil milhõesA Tekever integrou o grupo de mais de 20 empresas portuguesas presentes na Sea-Air-Space Expo e nos PT-US Defence Industry Days (EUA), durante o mês de abril. Tratou-se da estreia de uma comitiva nacional organizada no mercado de defesa americano, com o objetivo de dar maior destaque à indústria de Portugal no maior do mundo.
A aproximação aos Estados Unidos estende-se também aos investidores. Em setembro, a unicórnio nacional anunciou o primeiro fecho de uma ronda de financiamento de mais de 500 milhões de euros, que elevou a avaliação da empresa acima de 5,5 mil milhões de euros.
A operação foi liderada pela UC Investments, o braço de investimento da Universidade da Califórnia, e pela gestora britânica Baillie Gifford. A UC Investments tornou-se, assim, o primeiro investidor a realizar um investimento direto na Europa através desta entidade.

