Fazer férias está a ficar mais caro nuns aspetos, mas mais barato noutros. Em julho, um dos meses da época alta do verão, os preços com pacotes de viagens e restaurantes estiveram entre os que mais contribuíram para a evolução do Índice de Preços no Consumidor (IPC), enquanto o setor hoteleiro e os voos domésticos tiveram o efeito contrário, segundo mostram os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Com uma subida de 10,61% de junho para julho, a categoria de “férias organizadas” — que inclui, por exemplo, os pacotes turísticos das agências de viagens — teve um contributo positivo de 0,061 pontos para a variação mensal de -0,5% do Índice de Preços no Consumidor. Aliás, só a componente dos “outros frutos frescos” teve um impacto superior na inflação do último mês, ao subir 20,05% face a junho.
Já a categoria dos “restaurantes, cafés e estabelecimentos similares — com serviço completo” contribuiu com 0,041 pontos para a evolução da inflação em julho, em resultado de um aumento dos preços de 0,67% no que diz respeito à variação em cadeia.
Ler maisINE confirma desaceleração da inflação para 3% em julhoOs preços dos “hotéis, motéis, estalagens e outros serviços de alojamento” e do “transporte aéreo de passageiros, doméstico”, por sua vez, evoluíram no sentido oposto. No primeiro caso, o contributo para a variação mensal do IPC em julho foi de -0,041 pontos percentuais, enquanto a categoria do transporte aéreo doméstico teve uma contribuição de -0,031 pontos.
A descida dos preços dos voos domésticos foi particularmente expressiva. De junho para julho, o preço do transporte aéreo de passageiros recuou 20,14%, quando há um ano, pelo contrário, esta categoria tinha dado uma contribuição positiva de 0,026 pontos percentuais para a variação mensal do IPC.
Também no alojamento — cuja queda foi de 1,36% — se verifica uma diferença face a julho do ano passado. Nessa altura, os “hotéis, motéis, estalagens e outros serviços de alojamento” tinham registado um contributo igualmente negativo para a inflação, mas em menor grau, com -0,011 pontos percentuais (o que compara com -0,041 pontos em julho deste ano).
No caso das “férias organizadas”, o movimento de subida foi mais forte este ano: a contribuição para a variação mensal do IPC passou de 0,044 pontos percentuais em julho de 2025 para 0,061 pontos em igual mês deste ano. A restauração registou igualmente uma contribuição superior à do mesmo mês de 2025, passando de 0,032 para 0,041 pontos percentuais.
A evolução dos preços nestas categorias ocorre num contexto em que a taxa de inflação homóloga se fixou nos 3,0% em julho, menos duas décimas comparativamente ao mês anterior. No conjunto do índice, a variação mensal foi negativa, de -0,5%, refletindo sobretudo a descida dos preços do vestuário e calçado associada ao habitual período de saldos de fim de época, de acordo com a justificação do INE.
