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Contrato das fragatas exclui helicópteros e conta com “manutenção em 2035”

As três novas fragatas vão chegar sem helicópteros no pacote de aquisição, terão armamento incluído e primeira manutenção prevista para 2035, revelou o Chefe do Estado-Maior da Armada.

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As três novas fragatas que Portugal está a adquirir à italiana Fincantieri por cerca de 3,9 mil milhões de euros vão chegar sem helicópteros no pacote de aquisição, uma vez que “a Marinha modernizou a sua frota de cinco Lynx Mk95” e prolongou a sua “vida útil até 2035”. O programa inclui, por outro lado, a primeira manutenção dos três navios e os respetivos sobressalentes, a realizar nessa mesma altura.

“[Os navios] têm possibilidade de operar com helicópteros orgânicos ou drones que sejam utilizados na luta antissubmarina. Não estão incluídos [nesta contratação] e tem uma razão para não estar: a Marinha recentemente modernizou a sua frota de cinco Lynx Mk95. Como com essa modernização obtivemos uma extensão do seu prazo de vida útil até 2035, não foi decidido como elemento estruturante deste projeto. Quando nós adquirimos as fragatas da classe Vasco da Gama, no pacote inicial dessa aquisição não estavam contemplados os helicópteros. Os helicópteros foram uma opção que Portugal prosseguiu posteriormente”, disse o Chefe do Estado-Maior da Armada, durante uma entrevista na segunda-feira à TVI.

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“Pela primeira vez estamos a lançar um programa de aquisição de fragatas em que fará parte já deste programa a primeira manutenção dos três navios, que será feita ao fim de cinco anos, para próximo de 2035. Tudo o que tem haver com sobressalentes que estão previstos para primeira manutenção, já estão adquiridos para os três navios. Isto é um salto significativo para aquilo que era a abordagem que normalmente fazíamos”, vincou o almirante Jorge Nobre de Sousa.

Pela primeira vez estamos a lançar um programa de aquisição de fragatas em que fará parte já deste programa a primeira manutenção dos três navios, que será feita ao fim de cinco anos, para próximo de 2035.

Tudo o que tem haver com sobressalentes que estão previstos para primeira manutenção, já estão adquiridos para os três navios. Isto é um salto significativo para aquilo que era a abordagem que normalmente fazíamos.

Almirante Jorge Nobre de Sousa

Chefe do Estado-Maior da Armada

As novas FREMM EVO serão entregues entre 2029 e 2030 e representam a maior fatia dos 5,8 mil milhões de euros de financiamento garantido por Portugal através do instrumento SAFE.

Uma das diferenças desta aquisição está precisamente na abordagem ao ciclo de vida dos navios. “Uma das vantagens deste programa é que, pela primeira vez, podemos fazer uma abordagem de ciclo de vida porque, quando se adquire uma capacidade destas, está-se a adquirir uma capacidade para trinta anos“, refere o almirante da Marinha.

Além da componente de manutenção, o armamento está incluído no negócio. As fragatas terão capacidade para operar “mísseis de cruzeiro antinavio”, uma evolução relevante para a Marinha na área da defesa aérea e antimíssil. Os navios estarão equipados com novos radares e sensores, incluindo uma “capacidade de vigilância zenital” para contribuir para a defesa contra mísseis balísticos.

Para além da sua capacidade de luta antissubmarina, estes navios trazem uma capacidade que até agora nunca tivemos na nossa Armada, que é a capacidade aérea e antimíssil. Permite aquilo que é designado como defesa aérea antimíssil integrada. A responsabilidade da gestão dessa rede será sempre da Força Aérea ou das entidades NATO, com responsabilidades na defesa aérea, mas contribuiremos nesse sentido quer com as capacidades de deteção quer com os atuadores, que são os mísseis. Têm alguma capacidade, em determinadas fases da trajetória de mísseis balísticos, de os intercetar”, afirmou.

A componente antissubmarina é o principal objetivo operacional das três fragatas. O almirante Nobre de Sousa destacou a utilização de um “sonar de profundidade variável e de tecnologia de baixa frequência e com escuta passiva”, para aumentar o alcance de deteção de submarinos. “Na avaliação que fizemos são dos navios mais qualificados para essa área neste momento“, afirmou.

O processo de contratação dos novos navios à italiana Fincantieri está agora “entre o sétimo e o oitavo de nove passos do SAFE”, segundo o Chefe da Armada, que adiantou que estão a ser ultimadas “as questões contratuais visando a assinatura final dos contratos”.

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O acordo entre Portugal e Itália “funciona como um framework para o negócio”, mas a Marinha não terá uma relação contratual direta com os fabricantes. “Não foi assinado um contrato com o Governo italiano. Os contratos no cronograma estão agora numa fase de negociação. O que foi assinado entre estados, porque também decorre das regras do instrumento SAFE. Não vai haver relacionamento da Marinha Portuguesa com nenhuma empresa, seja ela a que fornece os navios ou a que fornece os subsistemas ou de sensores”, explicou o Chefe do Estado-Maior da Armada durante a entrevista.

Arsenal do Alfeite terá de se adaptar às novas fragatas

As novas fragatas colocam também pressão sobre as infraestruturas navais portuguesas. Questionado sobre o facto de os navios não caberem nas atuais condições do Arsenal do Alfeite, Jorge Nobre de Sousa respondeu que essa limitação está identificada no programa e que haverá uma componente dedicada à adaptação das infraestruturas e à capacitação do estaleiro.

“Está uma componente [no pacote de aquisição] de edificação e adequação de infraestruturas na qual está a base naval”, afirmou. O almirante frisou ainda que está igualmente previsto “um aspeto muito importante neste programa: o processo de revitalização e capacitação do Arsenal do Alfeite“.

“O Arsenal do Alfeite está numa situação em que tem dificuldades em progredir e avançar. Desde o início que definimos como fundamental trazer o Arsenal do Alfeite para este processo e para este programa para o requalificar, porque o Arsenal vai ser fundamental na sustentação destas fragatas ao longo da sua vida“, acrescentou.

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O Chefe do Estado-Maior da Armada sublinhou ainda que, “quando a Marinha recebeu as [fragatas] Vasco da Gama, a base naval estava, em 1984, um perfeito turbilhão de obras em curso” para serem recebidos os navios aos quais a base naval não estava preparada na altura. “O mesmo vai acontecer agora com as fragatas e isso já está previsto nalgumas das rubricas“.

Em julho, o Ministério da Defesa adiantou ao ECO/eRadar que o estaleiro naval “será alvo de capacitação e transferência de tecnologia, bem como de investimento significativo na recapacitação”. O Ministério tinha então apontado para “a construção de uma doca flutuante, sistemas de combate e software operacional, simuladores e sistemas integrados de comunicações por empresas portuguesas“.

O Ministério da Defesa não adianta, todavia, que valor será investido nessa capacitação. Em março, durante uma audição da Comissão de Defesa, Nuno Melo, tinha referido que a compra das fragatas para reforçar a Marinha Portuguesa deveria implicar um investimento entre 150 a 200 milhões de euros.

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Comentários (1)

  • Fala Verdade

    Negociatas ruinosas, como se já não bastasse o preço imoral, escandaloso, injusto e inaceitável ainda está 25% acima, será a cumissão lobista?! INVESTIGUE-SE, mas bem

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