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Volvo EX60: Eficiência que dispensa vaidades ao volante

Ser bom sem se exibir exige talento raro, sobretudo com família a bordo. Num fim de semana ao Algarve, entre autoestradas e trilhos sinuosos, o novo Volvo EX60 mostrou que sabe cuidar do que importa.

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Há quem garanta que a felicidade não se compra num concessionário, mas quem assina um cheque a rondar os 80 mil euros por um SUV elétrico familiar tem, no mínimo, o direito legítimo de esperar que as férias de verão não se transformem num tratado de física quântica sobre potências de carga e paragens forçadas.

A fasquia é elevada porque o dinheiro custa a ganhar e o segmento dos SUV elétricos premium está ao rubro, disputado palmo a palmo pela ambição tecnológica do Audi Q6 e-tron, pelo requinte dinâmico do Porsche Macan elétrico e pela omnipresença da Tesla. É precisamente nesta arena fervilhante que a Volvo lança o novo EX60, o herdeiro direto daquele que foi durante mais de uma década o seu maior fenómeno comercial em Portugal e na Europa: o consagrado XC60.

Se no passado a casa de Gotemburgo conquistou gerações de famílias com a reputação de construir fortalezas a gasóleo à prova de tudo, a missão atual passa por demonstrar que a era dos eletrões consegue preservar a mesma alma funcional sem cair em exuberâncias desnecessárias. Esta transição geracional representa o teste decisivo à maturidade elétrica da marca escandinava, obrigada a provar que a evolução digital traz vantagens concretas ao orçamento e ao quotidiano de quem procura um automóvel familiar elétrico com espaço, segurança e autonomia.

Para tirar todas as teimas sobre se este investimento avultado entrega verdadeira qualidade de vida ou se é apenas mais um catálogo de promessas de engenharia, o ECO colocou o carro à prova um dos cenários mais exigentes para um automóvel elétrico familiar: uma viagem de fim de semana prolongado rumo ao Algarve com duas crianças no banco traseiro e bagagens para todas as contingências.

Sem exibicionismo, o Volvo EX60 esconde sob uma estética sóbria uma condução que suave e segura, traços distintivos da marca sueca. Em qualquer piso, de autoestrada a terra batida, este SUV familiar mostra que discrição e talento podem ser uma parelha bem eficaz.

Com uma carroçaria imponente a roçar os cinco metros de comprimento, a presença do EX60 impõe respeito pelo porte, mas disfarça as suas dimensões generosas através de linhas fluidas e de uma sobriedade nórdica que recusa adereços aerodinâmicos espalhafatosos — o detalhe dos puxadores exteriores em asa pode suscitar alguma curiosidade no primeiro contacto, mas a utilização revela-se ergonómica e esteticamente harmoniosa.

A primeira resposta positiva surgiu logo na autoestrada A2 rumo a sul, onde o silêncio de rolamento e a consistência do conjunto mecânico ditaram um ritmo de viagem imperial. O assistente de condução inteligente revelou-se um aliado competente em viagens longas, permitindo mudar de faixa com naturalidade sem desativar de forma ríspida o controlo de velocidade adaptativo, mantendo a aceleração uniforme e evitando aqueles solavancos repentinos que tantas vezes incomodam quem viaja connosco.

A estabilidade direcional a 120 km/h revelou-se segura, com a insonorização a filtrar com mestria o atrito do ar e dos pneus no asfalto, registando neste troço de autoestrada um consumo médio de cerca de 22 kWh/100 km.

Ao volante, a arquitetura minimalista coloca todos os comandos essenciais à distância de um gesto simples, enquanto o ecrã central com sistema operativo Google funciona com rapidez e clareza, poupando o condutor a menus complicados, ainda que a concentração de quase todas as funções no ecrã tátil continue a ser, para quem prefere comandos físicos, o principal ponto de habituação neste Volvo.

O EX60 Ultra P10 AWD vem equipado com uma bateria de 95 kWh que garante uma autonomia combinada homologada de até 619 quilómetros. Para condutores com níveis de ansiedade superiores, há ainda a versão com uma bateria de 117 kWh que eleva a autonomia até 810 quilómetros.

Uma vez chegados ao litoral sul, o roteiro diário levou-nos em permanência até ao areal da Praia Grande, alternando o piso liso das vias rápidas com o asfalto degradado das estradas municipais e os inevitáveis trilhos de terra batida que dão acesso aos melhores recantos costeiros e até à mesa d’O Carlos, junto à praia onde o peixe fresco da costa dita o compasso de almoços tardios e descontraídos. E foi por esses trilhos que a tração integral P10 AWD comprovou a solidez do chassis e a versatilidade da suspensão, absorvendo os desníveis e a gravilha solta sem ruídos incómodo nem perdas percetíveis de motricidade.

Nas estradas secundárias sinuosas, a resposta imediata do acelerador e os três modos de condução bem calibrados permitem dosear a entrega de potência com enorme precisão, descendo as médias de consumo para uns frugais 18,5 kWh aos 100 km em ritmo descontraído.

Debaixo de um calor algarvio impiedoso, o habitáculo do EX60 colocou em evidência um dos seus trunfos mais brilhantes: o teto panorâmico eletrocromático. Em vez de recorrer a cortinas mecânicas volumosas que roubam espaço em altura, o vidro escurece através de comando eletrónico, bloqueando a radiação térmica sem anular a luminosidade ambiente.

Na segunda fila, o desafogo proporcionado pela generosa distância entre eixos transforma as viagens numa experiência de conforto para toda a família. Após tardes inteiras de brincadeiras na praia e banhos de mar, o perfil envolvente e reclinável dos bancos traseiros permitiu que os miúdos adormecessem quase deitados, profundamente relaxados ao longo de todo o regresso a casa. A somar a isto, os assentos elevatórios integrados nos próprios bancos dispensam o transporte de cadeirinhas adicionais e libertam espaço útil, enquanto a bagageira de 523 litros engoliu malas, brinquedos e sacos de praia sem qualquer esforço de arrumação.

A experiência sensorial a bordo culmina no sistema de som de alta-fidelidade concebido pela conceituada Bowers & Wilkins, cuja precisão acústica cristalina e uma reprodução limpa, sem distorção percetível, mesmo em volumes mais entusiásticos, transformaram os quilómetros desta escapadinha de fim de semana solarenga num momento de puro prazer auditivo.

No capítulo da autonomia, a versão ensaiada, o EX60 Ultra P10 AWD, vem equipada com uma bateria de 95 kWh que garante uma autonomia combinada homologada de até 619 quilómetros, um número que se revelou não muito longe da realidade ao longo dos quatro dias de viagem, mesmo com ar condicionado ligado, quatro ocupantes e bagagem completa a bordo.

Para quem sofre de ansiedade crónica de autonomia, a gama do EX60 sobe ainda ao patamar do P12 AWD, equipado com uma bateria de 117 kWh capaz de alargar o raio de ação até 810 quilómetros — uma opção que exige mais carteira, mas que pode fazer sentido para quem percorre regularmente distâncias muito longas. Mas mais relevante do que o número impresso na ficha técnica, porém, é a rapidez com que este Volvo repõe energia quando a bateria começa a escassear em plena viagem.

A prova de fogo dessa rapidez deu-se precisamente no regresso a Lisboa, quando a paragem na área de serviço de Almodôvar se revelou inglória por estarem todos os postos de carregamento ocupados por uma fila de condutores igualmente ansiosos por retomar a autoestrada. Confiando na autonomia restante, seguimos mais alguns quilómetros até à área de serviço de Aljustrel, onde encontrámos livre um carregador ultrarrápido anunciado a 400 kW.

Convém notar que a potência anunciada no posto nem sempre corresponde à que o automóvel efetivamente aceita, já que essa capacidade depende da arquitetura elétrica do carro e da temperatura da bateria naquele momento. Ainda assim, o resultado prático revelou-se particularmente eficaz: a bateria passou de 34% para 66% de carga em apenas 10 minutos, tempo suficiente para um café rápido ao balcão e a compra de duas garrafas de água antes de retomar a viagem com autonomia confortável até casa.

Assinar um cheque de 80 mil euros obriga sempre a fazer contas à vida e a olhar com lupa para a concorrência. Há cedências inevitáveis: os quilos a mais cobram a sua fatura quando o ritmo aperta nas curvas e a ausência quase total de teclas físicas no habitáculo exige uma curva de aprendizagem que nem todos terão paciência para cumprir. Só que, no teste do mundo real, a eficácia energética, a elevada rapidez de carregamento a repor bateria e o bem-estar a bordo falam muito mais alto do que qualquer catálogo de promessas digitais.

O EX60 Ultra P10 AWD não é um desportivo camuflado de SUV nem quer ganhar discussões de café pela cavalagem. Mas é uma proposta particularmente forte para famílias que privilegiam conforto, espaço, autonomia e carregamentos rápidos, permitindo atravessar o país sem dores de cabeça.

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