Os profissionais das Tecnologias de Informação (TI) são dos mais preparados e confiantes para enfrentar a transformação tecnológica, mas estão também entre os mais pressionados no mercado de trabalho, com níveis elevados de stress e burnout e menor intenção de permanecer nas empresas, de acordo com o estudo Global Talent Barometer 2026, divulgado pelo ManpowerGroup.
“Num mercado em forte transformação, a pressão sobre os profissionais de TI está a aumentar, tornando as carreiras mais exigentes e impactando os níveis de satisfação e compromisso com as organizações”, afirma Nuno Ferro, brand leader da Experis.
O responsável considera que o desafio para as empresas já não passa apenas por gerir a performance, mas também por encontrar um equilíbrio entre os objetivos de negócio e a pressão sobre as equipas, nomeadamente ao nível das cargas de trabalho, horários e outros fatores de desgaste.
Num mercado em forte transformação, a pressão sobre os profissionais de TI está a aumentar, tornando as carreiras mais exigentes e impactando os níveis de satisfação e compromisso com as organizações. O desafio para as lideranças já não é apenas gerir performance, mas encontrar um equilíbrio entre os objetivos de negócio e a pressão exercida sobre as equipas, seja ao nível das cargas de trabalho, horários ou pontos de fricção que geram desgaste e frustração.
“Confiança na tecnologia e na IA, por si só, já não chegam para fidelizar talento”, sublinha Nuno Ferro, defendendo a necessidade de criar experiências de trabalho mais sustentáveis e capazes de reforçar o compromisso dos trabalhadores.
O estudo, que avaliou 13.918 trabalhadores em 19 países, analisa 12 indicadores agrupados em três índices — bem-estar, satisfação no trabalho e confiança — e mostra que o setor de TI combina elevados níveis de preparação e empregabilidade com sinais crescentes de desgaste.
A nível global, o Global Talent Barometer 2026 atribui aos trabalhadores uma pontuação média de 67%, menos um ponto percentual do que no ano anterior.

No setor tecnológico, o índice de bem-estar situa-se nos 72%. Cerca de 86% dos profissionais dizem encontrar significado e propósito no trabalho, enquanto 82% afirmam estar alinhados com a visão e os valores da empresa, o valor mais elevado entre os setores analisados. Também o equilíbrio entre vida profissional e pessoal apresenta resultados acima dos restantes setores, com 80% dos trabalhadores a afirmarem sentir-se apoiados neste âmbito.
Mas os níveis de pressão continuam elevados. Mais de metade dos profissionais de Tecnologias de Informação, 53%, reporta níveis elevados de stress no dia a dia, colocando o setor como o segundo mais pressionado, apenas atrás de energia & utilities.
O burnout é ainda mais expressivo. Sete em cada dez trabalhadores de TI (70%) afirmam sentir ou ter sentido recentemente burnout, o valor mais elevado entre todos os setores analisados. Entre as principais causas, estão os níveis elevados de stress (29%), a carga de trabalho e os prazos apertados ou considerados irrealistas (28%) e as longas horas de trabalho (24%).
O índice de satisfação no trabalho situa-se nos 62%. Apesar de 78% dos profissionais afirmarem confiar no seu manager e sentirem que este se preocupa com os seus interesses de carreira — o valor mais elevado entre todos os setores —, apenas 44% dizem estar satisfeitos com o trabalho atual e não ter intenção de mudar de empresa nos próximos seis meses.
Por outro lado, 72% acreditam que conseguiriam encontrar outro emprego nos próximos seis meses, o valor mais elevado entre os setores analisados e 10 pontos percentuais acima da média. Em sentido inverso, 40% afirmam não sentir confiança no emprego atual e receiam perder o trabalho nos próximos seis meses.
Confiança elevada, mas menor fidelização
Apesar do desgaste, os profissionais de TI continuam a revelar elevados níveis de confiança nas suas capacidades e no futuro profissional. O índice de confiança do setor fixa-se nos 84%, mantendo-se estável face a 2025.
A maioria (91%) diz confiar nas competências que possui para desempenhar a função atual e 85% afirma ter oportunidades para desenvolver novas competências e adquirir experiência para atingir os seus objetivos profissionais. Este último é o valor mais elevado entre os setores analisados.

Também na relação com a tecnologia e a Inteligência Artificial, os profissionais de TI estão na linha da frente: 83% sentem-se confiantes nas suas competências tecnológicas e na utilização de tecnologia para desempenhar as suas funções, 11 pontos percentuais acima da média global.
Ainda assim, este indicador recuou cinco pontos percentuais face ao ano passado, sinalizando que a rápida aceleração tecnológica está a aumentar a exigência mesmo entre os trabalhadores que melhor preparados estão para acompanhar a mudança.
Ao mesmo tempo, 75% dos profissionais de TI acreditam existir oportunidades de promoção e mobilidade dentro da organização, o valor mais elevado entre todos os setores e 13 pontos acima da média global.
Para o ManpowerGroup, estes resultados mostram que os profissionais altamente qualificados, num contexto de procura superior à oferta de talento especializado, estão também mais exigentes quanto às condições de trabalho, oportunidades de desenvolvimento e sustentabilidade das suas carreiras.
O setor de TI revela, assim, um paradoxo: é um dos que apresenta profissionais mais preparados e confiantes para acompanhar a transformação tecnológica, mas também um dos que enfrenta maiores níveis de stress e burnout e menores níveis de fidelização. Para as empresas, o desafio passa por transformar essa confiança e empregabilidade em compromisso de longo prazo.






