Mais de 21 mil pedidos de reapreciação foram submetidos este ano na sequência dos exames nacionais da 1.ª fase, mais do triplo do número registado no ano passado. Segundo o balanço divulgado esta segunda-feira pelo Júri Nacional de Exames (JNE), 77% das provas reapreciadas viram a classificação subir, enquanto 7% tiveram uma descida e 16% mantiveram a nota.
O processo envolveu cerca de 2.100 professores relatores e ficou marcado por um volume de pedidos “excecionalmente elevado”, reconhece o Júri Nacional de Exames. No total, foram submetidos 21.021 pedidos de reapreciação e 2.957 pedidos de correção de cotações.
O Júri Nacional de Exames adianta que 20.886 resultados de reapreciações e 2.724 correções de cotações foram enviados às escolas na sexta-feira, 7 de agosto. Ficaram por enviar 46 processos de reapreciação e 110 processos de correção de cotações, cujos resultados deverão ser enviados ainda esta segunda-feira.
A estes somam-se 212 pedidos de reapreciação e de correção de cotações submetidos pelas escolas na sexta-feira e no sábado, já depois do envio dos primeiros resultados. O JNE garante que os resultados destes processos serão enviados às escolas até amanhã, 11 de agosto.
Ler maisHá escolas que ainda não receberam reapreciações dos examesO elevado número de pedidos surge depois de um processo de exames nacionais marcado por falhas no sistema de correção digital e por erros de parametrização em algumas provas. O JNE sublinha, contudo, que os mecanismos de reapreciação e reclamação permitem salvaguardar os direitos dos alunos e garante, em articulação com o Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.), que nenhum candidato será impedido de concorrer à primeira fase do acesso ao ensino superior devido a atrasos na divulgação destes resultados ou na emissão da ficha ENES.
O regulamento do Concurso Nacional de Acesso prevê ainda que, quando o resultado de uma reapreciação ou reclamação só seja conhecido depois de terminado o prazo de candidatura e implique uma alteração da classificação, o aluno dispõe de três dias seguidos após a divulgação do resultado para apresentar ou alterar a candidatura. Esta possibilidade aplica-se aos candidatos que só então reúnam condições para se candidatar ou aos que já tenham apresentado uma candidatura e precisem de a alterar.
Principais números:
- 21.021 pedidos de reapreciação (Modelo 12)
- 2.957 pedidos de correção de cotações (Modelo 10)
- 89 reapreciações submetidas tardiamente pelas escolas
- 123 correções de cotações submetidas tardiamente pelas escolas
- 20.886 reapreciações entregues às escolas pelo JNE no dia 7 de agosto
- 2.724 correções de cotações entregues às escolas pelo JNE no dia 7 de agosto
Entretanto, num requerimento entregue esta segunda-feira na Assembleia da República — dia em que algumas escolas ainda não tinham afixado os resultados das reapreciações —, o PS pede ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação informação detalhada sobre a primeira e segunda fases dos exames nacionais do ensino secundário e sobre as provas finais do 9.º ano, incluindo uma comparação com os dados dos três anos anteriores.
Ler maisPS quer saber dimensão das falhas nos exames digitaisOs socialistas querem ainda que o Governo revele a dimensão das falhas registadas nos exames nacionais digitais, solicitando “dados concretos” sobre o número de classificações alteradas por erros técnicos, as provas que tiveram de ser redigitalizadas ou reprocessadas e os casos em que a nota foi fixada em 9,5 valores para evitar uma reprovação.
Ministério da Educação abre inquérito a escolas por envio tardio de provas e reapreciações
O Ministério da Educação determinou esta segunda-feira a abertura de um inquérito às escolas que enviaram para classificação exames nacionais já depois da recolha formal por parte das forças de segurança, bem como aos pedidos de reapreciação submetidos tardiamente.
Numa resposta à agência Lusa, o gabinete de Fernando Alexandre refere que “o Ministro da Educação, Ciência e Inovação determinou esta segunda-feira à Inspeção-Geral da Educação e Ciência a abertura de um inquérito sobre irregularidades praticadas por escolas, públicas e privadas, no âmbito dos exames finais nacionais do ensino secundário de 2026”.
Em causa estão situações em que as escolas enviaram para classificação remessas de provas já depois da recolha formal e entrega pelas forças de segurança nas instalações da Imprensa Nacional Casa da Moeda onde os exames nacionais do ensino secundário foram armazenados e digitalizados.
Além desses casos, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência deverá averiguar, igualmente, os atrasos no envio de pedidos de reapreciação de exames realizados na 1.ª fase.
(Notícia atualizada às 19h07 com abertura do inquérito às escolas)






