A série documental “Mourinho” estreou esta terça-feira na Netflix. Gravada ao longo de mais de dois anos, a produção conta a história da carreira do treinador português José Mourinho, dividida por três fases marcantes — 2004 (chegada ao Chelsea), 2007 (fim da primeira passagem pelo Chelsea) e 2010 (Real Madrid).
Ler maisFootballco e Coca-Cola criam digital twin de José Mourinho para conteúdos do Mundial 2026Com acesso ao próprio ‘Special One’, a obra conta ainda com entrevistas de várias figuras do futebol mundial, como:
- Treinadores e dirigentes — Sir Alex Ferguson (ex-Manchester United), Javier Zanetti (antigo jogador e atual vice-presidente do Inter de Milão), André Villas-Boas (atual presidente do FC Porto e antigo adjunto de Mourinho)
- Ex-jogadores — Luís Figo (ex-Real Madrid), John Terry (ex-Chelsea), Iker Casillas (ex-Real Madrid), Zlatan Ibrahimović (ex-Inter de Milão), Didier Drogba (ex-Chelsea), Marcelo (ex-Real Madrid), Samuel Eto’o (ex-Inter de Milão), Frank Lampard (ex-Chelsea), Petr Čech (ex-Chelsea)
A responsabilidade do projeto cabe à Ventureland, um estúdio criativo independente especializado no desenvolvimento de conteúdos originais para cinema, streaming e podcasts. No seu currículo contam-se produções sobre o mundo do futebol como “Beckham” (2023) — produzido em conjunto com a Studio 99 e a Highly Flammable — e “FIFA: Futebol, Dinheiro e Poder ” (2022), centrada na história da organização, nas suas lutas internas e nos escândalos de corrupção associados à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022.
A série documental de Mourinho conta com produção de John Battsek — duas vezes vencedor do Óscar e conhecido por “Beckham” — e realização de Joe Pearlman — nomeado para o Bafta e o Emmy, e conhecido por “Robbie Williams” e “Lewis Capaldi: How I’m Feeling Now”.
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Em entrevista à ESPN, o produtor Miles Coleman admitiu que a ideia de retratar o técnico português não era um conceito inédito, afirmando que a Ventureland não foi a primeira produtora a abordar o treinador sobre o assunto. Desde o início que a produtora vincou que o objetivo não passava por criar uma biografia elogiosa, mas sim por confrontar o treinador.
Por sua vez, o realizador Joe Pearlman revelou que também foram “constantemente manipulados” por Mourinho durante as gravações. “Tínhamos consciência disso. Mas ao entrar num projeto com alguém como José Mourinho, se não fores manipulado, então não estamos a fazer bem o nosso trabalho“, destacou.
Entre as figuras entrevistadas, destaca-se a não participação de Pep Guardiola. De acordo com Joe Pearlman, o treinador rival de Mourinho chegou a aceitar participar no documentário, mas impôs como condição que fosse Mourinho a convidá-lo pessoalmente — o que não aconteceu. Já Sir Alex Ferguson, durante o documentário, revelou que Mourinho recusou a oportunidade de sucedê-lo no Manchester United em 2013.
Apesar de os criadores terem optado por sintetizar o período posterior à sua segunda passagem pelo Chelsea, Miles Coleman rejeita a ideia de que a série se foque apenas nos momentos de glória.
“Uma das coisas que funciona no intervalo de tempo em que nos focámos é que temos uma espécie de José em microcosmo ao longo de tudo, o que significa que talvez não seja necessário analisar a época no Fenerbahçe ao detalhe para perceber em termos gerais o que ali aconteceu”, considera na mesma entrevista.
Mesmo quando surgiram as notícias do regresso de Mourinho ao banco do Real Madrid, já na fase de montagem, a equipa optou por não alterar o rumo. “Seria tentador ou compreensível tentar transformar aquele momento numa peça puramente noticiosa, feita à medida para o lançamento em agosto de 2026”, reflete Miles Coleman.
“Se daqui a cinco anos ele estiver de volta ao Chelsea ou ao Man United, o documentário continuará a revelar a sua psicologia da mesma forma como se nunca tivesse voltado ao Real Madrid”, argumenta.






