As reclamações relacionadas com lixo urbano aumentaram 10,5% este ano, com acumulação de resíduos, falhas na recolha, contentores a transbordar e falta de limpeza regular, segundo dados do Portal da Queixa. Lisboa concentra a maior fatia das queixas.
Até 30 de julho, foram registadas 220 reclamações relacionadas com lixo urbano no Portal da Queixa, contra 199 no mesmo período de 2025. O aumento fez também subir o peso destas ocorrências no conjunto das reclamações dirigidas às câmaras municipais, de 19,72% para 20,79%.
A evolução mensal mostra um agravamento durante o verão. Julho concentrou 23,64% das reclamações registadas até ao final do mês, seguido de junho, com 19,55%, num período em que a maior produção de resíduos coloca pressão adicional sobre os serviços municipais de recolha e limpeza.
Lisboa é o município com maior número de queixas, representando 17,73% do total. Seguem-se Sesimbra e Almada, ambas com 5,45%, e Odivelas e Loures, com 5%.
Em termos de crescimento, há municípios onde as reclamações dispararam face ao mesmo período do ano passado. Moita e Funchal registam aumentos de 500%, enquanto Torres Vedras sobe 300% e Odivelas 120%.

Entre os principais motivos de reclamação destacam-se situações de acumulação de lixo, falhas na recolha, contentores a transbordar e ausência de limpeza regular. Alguns dos casos reportados apontam também para impactos na saúde pública, nomeadamente infestações de ratos e insetos, propagação de pragas para dentro de habitações e maus odores persistentes.
Há ainda relatos de deposição indevida de resíduos e entulho em espaço público e de atrasos ou ausência de intervenção por parte das entidades responsáveis pela limpeza urbana.
O aumento das queixas surge num período em que a produção de resíduos tende também a crescer. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já alertou que a produção de resíduos aumenta no verão, apontando agosto como o período mais crítico, o que poderá colocar pressão adicional sobre os sistemas municipais de recolha e tratamento.
Ler maisVolta regista 150 milhões de embalagens devolvidasA pressão sobre os sistemas de recolha surge também num contexto de alterações na gestão dos resíduos. A implementação do sistema Volta tem estado associada a situações de “caça às embalagens Volta” nos caixotes do lixo. O fenómeno levou já o Ministério do Ambiente a responsabilizar os municípios e a SDR Portugal, gestora do sistema, por encontrarem soluções.
Em julho, a Volta explicou que o “ataque” a contentores para retirar embalagens também ocorreu noutros países, mas foi desvanecendo à medida que aumentou a maturidade dos sistemas de depósito e reembolso. Embora não existam dados que permitam estabelecer uma relação direta entre esta situação e o aumento das reclamações sobre lixo urbano, o fenómeno é mais um fator de pressão sobre os sistemas de recolha e limpeza.






