Quase 50 mil alunos ficaram colocados na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. De acordo com uma nota enviada pelo Ministério da Educação, apesar das dificuldades na avaliação dos exames nacionais, o número de colocados subiu 13,9% face ao ano passado, invertendo a redução registada em 2025.
“A primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior de 2026 registou 49.991 estudantes colocados, mais 13,9% em relação a 2025, de acordo com os dados do Instituto para o Ensino Superior (IES). Este é o maior número de colocados da última década, com exceção de 2020, ano em que foram adotadas regras excecionais para a conclusão do Ensino Secundário e para a utilização de exames nacionais como provas de ingresso”, adianta esta tarde a tutela, ainda que os resultados individuais só sejam conhecidos no domingo, 23 de agosto.
Ler maisColocações no superior devem subir apesar do caos nos examesNo último ano, ficaram colocados no ensino superior, na primeira fase, cerca de 44 mil jovens, o que representou uma quebra de 12,1%. A explicar esse recuo histórico estiveram as alterações feitas ainda pelo Governo de António Costa às regras de acesso: nesse ano, as instituições de ensino superior tiverem de exigir, pelo menos, duas provas de ingresso, em vez de apenas uma, o que acabou por desincentivar o acesso ao ensino superior.
Entretanto, no início de 2026, o Governo agora de Luís Montenegro reverteu essa mudança. Assim, apesar das dificuldades na avaliação dos exames nacionais, o número de candidaturas ao ensino superior disparou e, anunciou hoje a tutela, o número de colocados recuperou face ao último ano.
“O número de candidatos válidos aumentou, atingindo 60.513, após os resultados das reapreciações ou reclamações de classificações de exames finais nacionais do ensino secundário ou de outro elemento considerado no cálculo da nota da candidatura, conforme previsto no Regulamento do CNAES”, precisa a tutela, que indica que houve mais 11.795 candidatos do que em 2025. ” Excluindo os anos da pandemia de COVID-19, trata-se do número mais elevado desde 19962, garante o Ministério da Educação.

Já quanto às colocações, a tutela avança que, no global, a taxa de ocupação agora registada é de 88,9%, mais 9,5 pontos percentuais (p.p.) do que em 2025.
Além disso, o Governo indica que a procura superou a oferta de vagas iniciais, com mais 4.285 candidatos válidos do que vagas disponíveis, “invertendo a situação registada em 2025”.
“A evolução da última década mostra que as vagas iniciais se mantiveram relativamente estáveis, enquanto o número de candidatos apresentou oscilações mais acentuadas, com máximos entre 2020 e 2022, uma redução acentuada em 2025 e uma recuperação em 2026″, observa o Ministério da Educação, na nota enviada às redações.

Quanto às preferências de candidaturas, 26.819 estudantes, correspondentes a 53,6% do total, ficaram colocados na primeira opção. Já 9.634 (19,3%) foram colocados na segunda opção. “No total, 84,% dos estudantes ficaram colocados numa das suas três primeiras opções”, frisa o Governo.
Universidades vs politécnicos: diferença na ocupação reduz-se
Na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, foram colocados 33.312 estudantes em universidades, o correspondente a 66% do total e a um salto de 2.595 alunos face a 2025. A taxa de ocupação atingiu 95,7%.
Já no ensino superior politécnico, foram colocados 16.679 estudantes, mais 3.497 do que no último ano e o equivalente a 33,4% do total. A taxa de ocupação, neste caso, foi de 77,9%.
Assim, a diferença entre as taxas de ocupação nas instituições universitárias e politécnicas foi de 17,8 pontos percentuais, diminuindo face ao fosso de 28,7 pontos percentuais registado no último ano.
“Entre as instituições politécnicas, destacam-se a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com uma taxa de ocupação de 101,2%, seguida do Instituto Politécnico do Porto (agora Universidade Técnica do Porto) e do Instituto Politécnico de Lisboa (agora Universidade Politécnica de Lisboa), com taxas de ocupação de 98,9% e 95,2%, respetivamente”, realça a tutela.
Já no subsistema universitário, o destaque vai para a Universidade do Porto, com uma taxa de ocupação de 99,1%, para a Universidade de Lisboa, com 98,9%, e para o ISCTE, com 98,8% das vagas ocupadas.
A tutela acrescenta que, em relação ao ano anterior, a taxa de ocupação das instituições de ensino superior localizadas no interior do país aumentou cerca de 9 pontos percentuais, ainda que se mantenha uma diferença territorial significativa (69,2% no interior contra 94,1% das vagas ocupadas no litoral). “As instituições do interior concentram 19,8% das vagas iniciais, mas 52,4% das vagas disponíveis para a segunda fase“, sublinha ainda o Governo.
Dos 1 519 pares instituição/curso que podiam fixar elencos com apenas uma única prova de ingresso, 1.330, correspondentes a 88%, decidiram fixar pelo menos um elenco com uma única prova de ingresso.
Ainda que a tutela já tenha avançado este primeiro balanço, os resultados (individuais) da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior só serão conhecidos este domingo. Os estudantes colocados terão até 27 de agosto para realizar a sua matrícula e inscrição na instituição de ensino superior em que ingressaram.
Já a segunda fase do concurso decorrerá entre 24 de agosto e 20 de setembro. Estarão disponíveis 6.639 vagas, menos 42,3% do que no ano anterior. Destas, 2.552 são na área de engenharia, indústria e construção; 1.052 na área de ciências, matemáticas e informática; 814 na área dos serviços; e 104 na área de educação.
Neste caso, a divulgação dos resultados está prevista para 30 de setembro.






