Quanto custa ver um eclipse? A resposta depende do tipo de experiência que se procura: há simples óculos certificados que permitem observar o fenómeno a preços muito variados — e relativamente baratos –, mas quem quiser recorrer a binóculos ou telescópios preparados para a observação solar pode ter de gastar dezenas, centenas ou até milhares de euros.
A observação de um eclipse solar sem proteção adequada pode causar danos irreversíveis na visão, pelo que os especialistas recomendam a utilização exclusiva de equipamentos certificados para acompanhar o eclipse de 12 de agosto em segurança.
Para uma observação segura, uma das opções mais acessíveis passa pelos óculos de proteção para eclipses. Por exemplo, o Auchan teve exemplares à venda por menos de um euro, enquanto na Worten há óculos de proteção para observação solar com a certificação ISO específica a custar 3,5 euros por unidade. Na Astroshop Portugal, os óculos custam 4,90 euros.
Para quem procura uma observação mais detalhada, os preços aumentam. Na mesma Astroshop Portugal, os binóculos para observação do sol estão disponíveis entre 59 e 69 euros.
Já os telescópios de iniciação podem ser encontrados a partir de cerca de 65 euros, por exemplo na FNAC. Nas lojas especializadas, como a Astroshop Portugal, os modelos recomendados para principiantes começam nos 219 euros, enquanto os modelos topo de gama podem chegar aos 12.890 euros.
Ler maisEsgotados óculos gratuitos para observação do eclipse solarA poucos dias do eclipse, a procura por este tipo de equipamento intensificou-se. Os óculos gratuitos disponibilizados através da campanha da Ciência Viva esgotaram um dia após um reforço do stock.
Ainda assim, a agência aconselha os interessados a verificarem junto das óticas aderentes se haverá novas reposições ou, em alternativa, a adquirirem óculos certificados em farmácias, supermercados ou lojas especializadas, por valores que rondam os três euros.
Como observar o eclipse em segurança
Olhar diretamente para o sol, sobretudo durante um eclipse, pode provocar queimaduras permanentes na retina, visão distorcida ou até perda irreversível da visão.
“Podemos estar a olhar para o sol, a nossa retina está a ser queimada e nós não sentimos dor no momento da observação”, alerta Ivone Fachada, da direção da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.
A responsável recomenda a utilização exclusiva de óculos certificados, identificados com a norma ISO 12312-2, marcação CE e referência ao Regulamento (UE) 2016/425. Óculos de sol, radiografias, películas ou outros métodos improvisados não oferecem proteção suficiente para observar diretamente o sol.

A plataforma Eclipse 2026 recomenda ainda verificar, antes da utilização, se os óculos não apresentam riscos, furos ou outros danos e se incluem a identificação do fabricante ou importador, o número de lote, a declaração de conformidade e as instruções de utilização.
Também Carlos Marques Neves, diretor clínico da alm | Primum Oftalmologia, alerta para o risco de retinopatia solar, uma lesão provocada pela intensa luz concentrada na retina. Segundo o especialista, os sintomas podem surgir apenas horas depois da exposição e incluem visão desfocada, manchas escuras no centro da visão, distorção das linhas, alterações na perceção das cores e maior sensibilidade à luz.
“A lesão ocorre sem dor imediata, porque a retina não possui recetores de dor, e os sintomas podem surgir horas depois, não existindo tratamento comprovado para reverter o dano, o que torna a prevenção absolutamente essencial“, sublinha.
A Ciência Viva desaconselha ainda a utilização de telemóveis, câmaras fotográficas, binóculos ou telescópios sem filtros solares próprios, uma vez que estes equipamentos concentram a radiação solar e podem provocar lesões oculares imediatas, além de danificarem os próprios dispositivos.
Mais de 370 iniciativas para observar o eclipse
O interesse pelo eclipse reflete-se também no número de iniciativas organizadas para acompanhar o fenómeno. De norte a sul do país, incluindo a Região Autónoma dos Açores, a plataforma Eclipse 2026 reúne 379 ações.
No Centro Ciência Viva de Constância, uma das iniciativas já está esgotada e deverá reunir mais de 400 participantes. A organização vai disponibilizar telescópios equipados com filtros solares e distribuir gratuitamente óculos certificados, tendo optado por não permitir a utilização de telescópios próprios por razões de segurança.
Ler maisEclipse solar deve reduzir produção solar na IbériaAlém de Constância, também o Planetário de Espinho vai promover uma ação gratuita de observação na Praia da Baía, onde o eclipse deverá atingir cerca de 98% de ocultação do sol. Astrónomos e outros profissionais irão disponibilizar equipamento para observação segura e explicar o fenómeno ao público.
No dia 12 de agosto, Portugal será um dos países onde será possível observar um eclipse total do sol. Dependendo da localização, o eclipse atingirá entre 93% e 100% de ocultação do sol.

O eclipse será total apenas numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, em Bragança. No restante território continental, a ocultação do disco solar variará entre 92% e 99%, enquanto nos Açores e na Madeira ficará entre 74% e 77%. A faixa de totalidade atravessará ainda o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha.
O último eclipse total visível em Portugal aconteceu em 1912 e o próximo apenas deverá ocorrer em 2144, tornando o fenómeno de 2026 um acontecimento raro para várias gerações. Um eclipse total do sol ocorre quando a lua se posiciona entre a Terra e o sol, ocultando completamente o disco solar durante alguns minutos.






