O preço da energia voltou a pressionar os orçamentos familiares no último trimestre, com a fatura média a subir apesar do consumo ter descido. Os dados são da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
A explicação está na estrutura da fatura: a parte fixa pesa cada vez mais e não desce quando se consome menos. Para os escalões mais baixos de potência contratada, essa componente já representa perto de um terço do total.

As famílias em situação de pobreza energética são as mais expostas. A tarifa social abrange atualmente cerca de 750 mil beneficiários, mas as associações de consumidores estimam que o universo elegível seja bastante maior do que o universo inscrito.
Ler maisStartup tecnológica atinge avaliação recorde em ronda de investimentoNo lado da produção, o peso das renováveis continuou a bater recordes, o que ajudou a conter o preço grossista. Esse alívio, porém, chega às faturas com meses de atraso por causa da forma como os contratos de fornecimento são indexados.
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Enquanto a fatura for construída sobre uma componente fixa desta dimensão, poupar energia deixa de ser um instrumento ao alcance de quem mais precisa.”
Cláudia Perestrelo
Coordenadora de uma associação de defesa do consumidor
O regulador tem em consulta pública uma revisão da estrutura tarifária. A decisão só produz efeitos no próximo ano civil.
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