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Portugueses compram mais de seis pares de calçado por ano e ‘preferem’ baixo preço

Consumo de calçado no mercado português aumentou 1,4% para um total de 73 milhões de pares em 2025. Preço médio dos artigos importados é metade daquele que segue para exportação.

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Confirmando a tendência de aumento gradual do consumo aparente de calçado em Portugal ao longo dos últimos anos, o mercado português absorveu aproximadamente 73 milhões de pares de sapatos em 2025, isto é, mais um milhão do que no ano anterior.

Considerando os 11,4 milhões de habitantes em Portugal, contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), das quais 14% de nacionalidade estrangeira, significa isto que os residentes no país compraram mais de seis pares de calçado durante o ano passado.

Estes dados fazem parte do World Footwear Yearbook 2026, a que o ECO teve acesso, que mostra ainda que o país importou calçado no valor de aproximadamente 981 milhões de dólares (850 milhões de euros ao câmbio atual) durante o ano passado. A principal origem foi Espanha (37% do valor importado), Alemanha (12%), Bélgica e China (ambas com 10%) e França (8%).

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O diretor executivo da associação do setor do calçado (APICCAPS), Paulo Gonçalves, indica que “uma parte muito significativa deste consumo é satisfeita através de importações, dado que a produção portuguesa se encontra fortemente orientada para os mercados externos”.

“O preço médio do calçado importado continua bastante abaixo do preço médio das exportações portuguesas, o que revela a existência de segmentos de mercado diferentes: Portugal exporta predominantemente produtos de maior valor acrescentado, enquanto uma parte importante do consumo interno se concentra em gamas de preço mais reduzidas”, sublinha.

A mais recente edição do World Footwear Yearbook, publicação que analisa as tendências mais relevantes da indústria mundial do calçado e que foi lançado pela primeira vez em 2011, mostra que, além de dominar a produção, o continente asiático lidera no consumo de calçado a nível global, com 56% de todo o calçado consumido no mundo.

Em Portugal, as importações de calçado estão a subir desde 2021, tanto em valor como em volume, e já estão inclusive acima do nível pré-pandemia. Paulo Gonçalves enquadra que “o crescimento do consumo não é, em si mesmo, um desenvolvimento negativo para um setor produtor de bens de consumo”, estando “a questão central sobretudo na composição desse consumo”.

O dirigente associativo contabiliza que “o preço médio das importações portuguesas corresponde aproximadamente a metade do preço médio das exportações [28,25 dólares, o segundo mais elevado a nível mundial], o que mostra que uma parte considerável do mercado interno se encontra orientada para segmentos de baixo preço”.

FOTO GONÇALVES

“Os modelos assentes em preços muito reduzidos e ciclos de utilização curtos podem incentivar uma maior rotação do produto e, consequentemente, gerar mais resíduos. Esta questão é particularmente relevante no calçado, que continua a ser um produto tecnicamente complexo de reciclar”, lamenta, em declarações ao ECO.

E pode a indústria portuguesa substituir parte destas importações? “A produção portuguesa compete sobretudo através da qualidade, do design, da flexibilidade produtiva, da inovação e da durabilidade, não sendo possível substituir diretamente todas as importações sem uma alteração dos padrões de compra e do posicionamento comercial”, responde.

Existe espaço para aumentar a presença do calçado português no mercado nacional, particularmente junto de consumidores que valorizem a durabilidade, a origem e a sustentabilidade dos produtos.

Paulo Gonçalves

Diretor executivo da APICCAPS

Contudo, reconhece que há “espaço para aumentar a presença do calçado português no mercado nacional, particularmente junto de consumidores que valorizem a durabilidade, a origem e a sustentabilidade dos produtos”, sustentando que “um produto de maior qualidade, bem conservado e utilizado durante mais tempo pode apresentar um custo por utilização mais baixo e uma menor pegada ambiental”.

Foi precisamente esta reflexão que esteve na base da mais recente campanha global de marketing lançada pela indústria portuguesa (“Mass Production or Mindful Creation?”), que tem mostrado nas principais feiras profissionais, como na última edição da italiana MICAM, em que contrapõe a produção massificada e de curta duração a uma criação mais consciente, durável e responsável.

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