Recebe o ECO num gabinete com vista para o Tejo e começa por avisar que não vai dar respostas confortáveis. Em hora e meia de conversa, falou de dívida, de habitação e do que chama «o problema que ninguém quer nomear».
O Banco Central Europeu parou de descer juros. Isso é bom ou mau para Portugal?
Nem uma coisa nem outra. É o normal. O que não era normal foi a década em que uma empresa se financiava a 1% e um Estado a zero. Construímos hábitos em cima de uma anomalia e agora chamamos-lhe crise.

Que hábitos, em concreto?
Orçamentar despesa permanente com receita extraordinária. Enquanto o custo da dívida caía todos os anos, isso ficava escondido — havia sempre uma poupança na fatura dos juros para tapar o buraco. Agora não há.
Ler mais«A inteligência artificial não vai roubar empregos, vai roubar tarefas»Isso é um problema de quem governa ou de quem orçamenta?
É um problema de incentivos. Quem apresenta um orçamento a três anos não é julgado pelo que acontece no quarto. E as regras europeias, que deviam corrigir isso, foram desenhadas para outra realidade de taxas.





