Rui Borges, CEO da Plot
A Plot está a lançar uma ferramenta desenhada para medir e comparar a forma como as marcas são vistas, citadas e recomendadas pelos principais modelos de linguagem (LLM).
O “Top of mAInd” surge como resposta a uma mudança no comportamento dos consumidores, que começam a substituir o tradicional motor de busca Google por perguntas diretas à inteligência artificial para obter recomendações sobre o que comprar ou onde ir. “Cada vez mais pessoas perguntam diretamente aos modelos de inteligência artificial o que comprar, onde ir ou em quem confiar e os modelos decidem sozinhos, com base no que já leram sobre cada marca, enviando uma resposta fechada“, enquadra a Plot.
Desenvolvida ao longo do último ano, a ferramenta baseia-se num conjunto de prompts personalizados, construídos de raiz em parceria com cada cliente. As respostas são depois recolhidas através de API para assegurar a isenção do processo.
“A parceria com a marca existe na definição do que medir, não necessariamente na medição. Os prompts são construídos pela nossa equipa de estratégia cruzando três fontes: a visão de negócio da marca (que produtos, que segmentos, que ocasiões de compra importam), o conhecimento sobre o funcionamento dos LLM e a linguagem real das pessoas. Ou seja, como pesquisam no Google e falam em redes sociais e fóruns. A isenção está garantida por três mecanismos: os mesmos prompts são aplicados de forma idêntica a todas as marcas da categoria, do cliente e concorrentes, a recolha é feita via API, sem histórico e sem sessões contaminadas. Resumindo, os prompts são sempre ao nível da categoria (o que interessa às pessoas), e não ao nível da marca. Cada resposta é a que qualquer consumidor anónimo receberia e a classificação das menções segue o mesmo critério para todas as marcas”, concretiza ao +M Rui Borges, CEO da Plot.
Cada menção obtida é depois classificada em três patamares de força, surgindo como Listada, Qualificada ou Recomendada. Desta análise resulta o mAInd Score, um indicador que combina a visibilidade e a força da recomendação de uma marca, permitindo-lhe comparar o seu desempenho de forma direta com a concorrência. “Os três níveis correspondem a uma pontuação de 1 a 3, e é a média dessa força, cruzada com a taxa de menção, que produz o mAInd Score“, concretiza Rui Borges, CEO da Plot.
Numa primeira análise focada no setor do seguro automóvel em Portugal — realizada com base em 40 prompts, dez marcas e cinco plataformas e modelos de IA (incluindo Claude, GPT-4o, Gemini, AI Overview e Perplexity) —, a agência identificou discrepâncias significativas na presença digital. A marca líder de visibilidade registou presença em 68% das respostas, ao passo que a maioria das seguradoras concorrentes não ultrapassou os 35%. Adicionalmente, a seguradora mais bem posicionada atingiu apenas metade do score máximo atribuído pela ferramenta.
A “Top of mAInd” pretende servir clientes atuais e futuros da Plot. “É uma ferramenta de diagnóstico que orienta uma estratégia de conteúdos 360º. Podíamos ter optado por comercializar apenas a ferramenta, mas preferimos trabalhar em estratégias full content, nas quais a ‘Top of mAInd’ permite diagnosticar a visibilidade nas LLMs e guiar estratégias de conteúdo para melhorá-la“, prossegue o também fundador da agência.
A ferramenta destina-se a marcas das categorias em que a decisão de compra passa cada vez mais por uma pergunta feita à IA: seguros, banca, retalho, telecomunicações e viagens. Ou seja, categorias de comparação e recomendação, enumera o responsável. “Na prática, quem procura o serviço são equipas de marketing e comunicação que já mediam a sua presença no Google e perceberam que passou a existir uma nova camada que ninguém estava a medir”, diz.
Depois, o desafio é alimentar a memória dos LLM. Aqui, Rui Borges defende que existem duas velocidades. A primeira velocidade é a pesquisa em tempo real. “Uma parte crescente das respostas (AI Overviews, Perplexity, e os modos de pesquisa do ChatGPT e do Gemini) é construída no momento, indo buscar fontes à net. O efeito de bons conteúdos pode sentir-se em semanas: conteúdo estruturado, citável, publicado em fontes que os modelos consideram credíveis. É por isso que o Top of mAInd identifica as fontes de cada recomendação, saber de onde os modelos tiram a informação dá-nos pistas importantes sobre onde trabalhar”.
Em paralelo, surge a segunda velocidade, a memória de treino dos modelos, que se atualiza em ciclos mais longos. “Aí o trabalho é cumulativo, quanto mais se diz, publica e discute sobre uma marca de forma consistente, maior a probabilidade de a marca ficar gravada na próxima geração de modelos. Não há atalhos nem garantias nesta camada, e desconfiamos de quem os prometa”.
Ou seja, resume o CEO da Plot, “estamos a aplicar o que sempre funcionou na construção de marca: consistência, escala e distintividade. Agora, com um “cliente” novo que acrescenta mais uma camada à equação“.






