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Opinião

Uma marca chamada Jesus

Jorge Jesus pode gerar controvérsia, mas raramente passa despercebido. E, em liderança, a indiferença costuma ser mais perigosa do que a polémica.

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Há uma enorme expectativa em torno de Jorge Jesus, oficialmente apresentado esta tarde como Selecionador Nacional. Poucos treinadores portugueses chegam a este momento com um currículo tão vasto e diversificado, construído em Portugal, no Brasil e na Arábia Saudita, em contextos culturais, competitivos e humanos profundamente distintos.

Jorge Jesus nunca foi um líder de discurso académico nem de mensagens excessivamente elaboradas. Pelo contrário. A sua comunicação é direta, simples e, por vezes, imperfeita. Tem sido frequentemente criticado pela forma, mas raramente pela capacidade de mobilizar pessoas em torno de um objetivo comum.

E essa talvez seja uma das primeiras lições de liderança que a sua carreira oferece: as equipas seguem mais facilmente quem transmite convicção do que quem procura impressionar pela sofisticação das palavras. A comunicação pode aprender-se e aperfeiçoar-se através de treino, prática e experiência. Já a autenticidade, a energia e a capacidade de gerar adesão emocional são qualidades muito mais difíceis de ensinar.

Ao longo do seu percurso, Jesus demonstrou uma característica essencial dos líderes carismáticos: a coragem para decidir. Tomou decisões impopulares, geriu egos de grandes estrelas, enfrentou fases de elevada pressão mediática e trabalhou em ambientes onde as diferenças culturais, religiosas e sociais exigem uma capacidade de adaptação fora do comum.

Os grandes líderes não são aqueles que evitam conflitos, são os que conseguem enfrentá-los sem perder autoridade nem identidade. Jorge Jesus construiu precisamente essa reputação. Pode gerar controvérsia, mas raramente passa despercebido. E, em liderança, a indiferença costuma ser mais perigosa do que a polémica.

Outra característica diferenciadora dos líderes carismáticos é a criação de uma narrativa mobilizadora. As pessoas precisam de acreditar que fazem parte de algo maior do que elas próprias. Quando as equipas acreditam numa visão coletiva, a motivação deixa de depender apenas de recompensas ou incentivos e passa a ser alimentada pelo significado da missão.

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