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‘Operação Pária Económico’: como os EUA querem isolar o Irão?

“O Irão tem dois caminhos: a normalidade ou o total isolamento”, declarou Bessent no último esforço dos EUA para fazer quebrar o regime iraniano pela via da repressão económica ao país.

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Os EUA anunciaram esta segunda-feira aquilo que apelidaram de “campanha económica sem precedentes” para atingir o regime do Irão e os seus apoiantes. “Estamos a lançar um ataque económico contra as ligações financeiras do Irão em todo o mundo. O nosso objetivo é cortar todos os laços económicos que sustentam este regime tirânico até que Teerão esteja sozinha”, declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. O plano para isolar o Irão tem um nome: ‘Operação Pária Económico’.

Qual é o objetivo?

O objetivo é simples: cortar todas as fontes de receitas que sustentam o regime iraniano e a Guarda Revolucionária Islâmica com o objetivo de quebrar o adversário pela via económica para chegar a um acordo quanto ao nuclear – meta que o país não atingiu pela via militar desde que começou a bombardear o Irão no final de fevereiro.

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“O regime iraniano enfrenta uma escolha clara: um isolamento global severo ou um caminho para a reintegração na economia global”, afirmou Bessent em conferência de imprensa.

O secretário do Tesouro adiantou que o seu departamento mapeou as redes, facilitadores e canais financeiros que “o Irão utiliza para contrabandear petróleo, contornar sanções e financiar o terrorismo”.

O regime iraniano enfrenta uma escolha clara: um isolamento global severo ou um caminho para a reintegração na economia global.

Scott Bessent

Secretário do Tesouro dos EUA

Sanções secundárias para quem apoie o regime

Não só as empresas iranianas ficam sancionadas, mas a ameaça passa também para empresas, entidades e particulares de outros países que continuem a facilitar determinadas atividades iranianas.

Bessent revelou que o próprio Presidente Trump “está a telefonar” a líderes mundiais para cortar laços económicos com o Irão e também as equipas dos Departamentos do Tesouro, de Estado e da Guerra estão a reunir-se com os seus homólogos em todo o mundo com a mensagem de que devem ser rápidos a agirem.

Cada país receberá um prazo definido para encerrar as atividades relacionadas com o Irão que identificámos. Caso não o façam, o Departamento do Tesouro agirá”, afirmou.

Bessent não disse quanto tempo esperaria, mas avisou: “A nossa paciência não é infinita.”

E a China? “Ninguém está acima do alcance das sanções”

A China é o principal cliente do petróleo iraniano e os bancos chineses têm fortes ligações ao país. A eficácia da operação vai passar pela forma como Washington vai lidar com Pequim.

“Queremos deixar claro que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA”, avisou Scott Bessent. “Se facilitarem transações e se forem parte do ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro, em repressão, vão ser alvo de sanções”, salientou ainda na conferência com os jornalistas.

Ainda assim, espera que a “diplomacia discreta” resolva potenciais diferendos. “Estamos a estabelecer padrões claros com cada país para comunicar as nossas expectativas. Sabemos quem são. Eles sabem quem são. Portanto, quando o martelo das ações do Tesouro dos EUA cair sobre eles, não terão ninguém a quem culpar senão a si próprios”, disse.

Queremos deixar claro que ninguém está acima do alcance das sanções dos EUA. Se facilitarem transações e se forem parte do ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro, em repressão, vão ser alvo de sanções.

Scott Bessent

Secretário do Tesouro dos EUA

Ouro e ativos digitais na mira

Os EUA consideram que o regime iraniano tem utilizado cada vez mais meios para se sustentar financeiramente e, por isso, colocou cinco setores-chave na mira do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC, Office of Foreign Assets Control) através de determinações setoriais que permitem impor sanções a qualquer pessoa ou entidade estrangeira que opere ou preste serviços de apoio a estes setores.

Desde logo nos ativos digitais, pois considera que Teerão cada vez mais se financia através de criptomoedas para contornar as sanções.

No setor tecnológico, os EUA querem evitar que os iranianos acedam a tecnologias avançadas usadas nos programas de fabrico de armas.

No caso do ouro, adianta que, com o colapso do setor financeiro formal, o regime tenta cada vez mais estabilizar o rial com o metal precioso para “se proteger da inflação galopante”.

Os setores da aviação e transporte marítimo estão foram visados pois são usados por Teerão para transportar armas, dinheiro e ouro pela via aérea, e petróleo e mísseis pelo mar.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent

Quase 60 entidades, indivíduos e embarcações na lista negra

O OFAC avançou também com sanções contra quase 60 entidades, indivíduos e embarcações ligados ao Irão, incluindo governo iraniano, por causa de esquemas relacionados com a aquisição de tecnologia e equipamento sensível para o desenvolvimento de mísseis balísticos e investigação nuclear no seio do Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irão, e de ciberataques a infraestrutura crítica do EUA por via de um grupo dirigido pelo Ministério da Inteligência e Segurança do Irão (MOIS).

A lista de sanções inclui ainda uma rede de corretores, empresas e embarcações de frotas paralelas que operam nos Emirados Árabes Unidos (EAU), Hong Kong, China, Singapura, Suíça, Europa e outras regiões para transportar petróleo iraniano e canalizar as receitas para a Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC-QF) e outros elementos do regime.

Várias empresas internacionais que operam no setor petrolífero do Irão e possibilitam a movimentação e venda fraudulenta de petróleo bruto e derivados iranianos também são visadas pelo Departamento do Tesouro.

Pagar para passar em Ormuz arrisca sanção

Numa nota separada, o OFAC também alertou para o risco de sanções associado a pagamentos ou serviços exigidos pelo Irão em troca de passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

As sanções abrangem transações ou operações com três entidades: Persian Gulf Strait Authority (PGSA), Persian Gulf Marine Insurance Company (PGMIC) e HormuzSafe Marine Services Authority (Hormuz Safe).

Estes pagamentos podem ser feitos de várias formas: dinheiro, criptomoedas, compensações, acordos entre governos ou até donativos para por exemplo a Iranian Red Crescent Society, Bonyad Mostazafan ou contas da embaixada iraniana.

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Comentários (1)

  • Carlos Belo

    Madness… Madness and stupidity!

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