O banco italiano Monte dei Paschi di Siena (MPS) acaba de lançar ofertas para tentar comprar dois outros bancos — Banco BPM e Banca Generali — por um valor combinado de 34 mil milhões de euros. A concretizarem-se, estas complexas operações darão origem ao terceiro maior banco no mercado italiano, a rondar 70 mil milhões de euros em valor de mercado e cerca de 450 mil milhões em ativos.
A decisão arrojada, numa altura em que o MPS ainda está a concluir a integração do Mediobanca, que adquiriu no ano passado, representa um movimento defensivo depois de, em junho, o banco mais antigo do mundo ter sido alvo de uma oferta não solicitada do Intesa Sanpaolo, que o avalia em 36 mil milhões de euros.
A fusão do MPS com o Banco BPM e o Banca Generali daria origem ao único banco de dimensão minimamente suficiente para fazer frente ao domínio do Intesa e do UniCredit, explica a Bloomberg.
Concretamente, de acordo com o Financial Times, o MPS propõe oferecer aos acionistas do Banca Generali (gestor de ativos do grupo segurador Generali) 6.958 novas ações do MPS por cada ação que detenham. Esta configuração avalia o Banca Generali em 8,7 mil milhões de euros, representando um prémio de 10% face à cotação de fecho de quarta-feira. Já a oferta pelo Banco BPM, também em ações, avalia-o em 25 mil milhões de euros, segundo o mesmo jornal.
O plano prevê ainda uma distribuição de quatro mil milhões de euros pelos atuais acionistas do MPS, dos quais mil milhões em dinheiro e três mil milhões em ações da própria Generali (maior acionista do Banca Generali), distribuindo assim 4,5% da seguradora e ficando o próprio banco com os restantes 8,8%. Para contexto, o MPS detém, através do Mediobanca, 13,3% do capital da Generali, segundo a Reuters.
Em paralelo, o Intesa está a tentar comprar o MPS. Se a oferta for bem-sucedida, o plano é vender as cerca de 1.260 sucursais do banco, a sua marca histórica e muita da infraestrutura central à seguradora Unipol, indica também o FT. Este é o plano do qual o CEO do MPS, Luigi Lovaglio, se tem tentado escudar. Uma tentativa de fundir o MPS com o Banco BPM era a ideia preferida do gestor, mas a intenção caiu por terra no mês passado.






