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Mónica García recorre a Quirónsalud em Ceuta para prestar serviços médicos, enquanto o critica em Madrid

A Ingesa atribuiu diferentes serviços médicos e de diagnóstico a empresas de Quirónsalud para tratar doentes em Ceuta.

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O Instituto Nacional de Gestão da Saúde (Ingesa), um organismo diretamente dependente do Ministério da Saúde e responsável pela gestão dos cuidados públicos de saúde em Ceuta, recorreu à Quirónsalud para fornecer diferentes serviços médicos e diagnósticos aos pacientes na cidade autónoma, incluindo contratos atribuídos durante o mandato da Ministra Mónica García.

Entre estes prémios está um contrato formalizado em fevereiro de 2026 com a IDCQ Hospitales y Sanidad, uma empresa pertencente à Quirónsalud, para realizar endoscopias com sedação profunda a pacientes da Área de Saúde de Ceuta.

Além deste serviço, existem outros serviços atribuídos pela Ingesa durante 2026, incluindo testes vestibulares com testes VHIT e ressonância magnética, bem como contratos previamente formalizados para serviços de neurologia e reabilitação ambulatória da fala.

No geral, os prémios mostram como o sistema público de saúde de Ceuta recorre à capacidade médica privada para complementar os serviços que não fornece diretamente com os seus próprios recursos.

A circunstância adquire relevância especial porque Ceuta, juntamente com Melilla, é uma exceção dentro do Sistema Nacional de Saúde: os seus cuidados de saúde não são transferidos para uma comunidade autónoma, mas dependem diretamente da INGESA e, portanto, do Ministério liderado por Mónica García.

FUNDAÇÃO JIMÉNEZ DÍAZ, AO SERVIÇO DE CEUTA

A colaboração com o grupo inclui também a Fundação Jiménez Díaz, um hospital integrado no Quirónsalud e um dos principais centros de alta complexidade de Madrid. Este centro tem estado envolvido há anos em cuidados especializados para doentes em Ceuta através de ferramentas de telemedicina, especialmente para cuidados urgentes de AVC.

Este serviço é de especial importância em Ceuta, onde o isolamento de facto e a distância dos grandes hospitais peninsulares são cuidados de cuidado. Contratos externos permitem complementar os serviços do Hospital Universitário da cidade autónoma e evitam que certos exames ou tratamentos fiquem sem cobertura imediata.

CRÍTICAS DA MINISTRA

O uso da Quirónsalud pelo sistema de saúde diretamente gerido pelo Ministério contrasta com a posição crítica intensa mantida por Mónica García relativamente a certas fórmulas de colaboração público-privada, especialmente as desenvolvidas na Comunidade de Madrid.

Durante a apresentação do projeto de Lei sobre Gestão Pública e Integridade do Sistema Nacional de Saúde, García defendeu em fevereiro que a gestão direta deveria tornar-se a modalidade preferida e que as fórmulas indiretas só deveriam ser utilizadas de forma excecional quando o sistema público demonstrar que não pode prestar um determinado serviço pelos seus próprios meios.

A ministra assegurou então que a nova legislação visa pôr fim aos modelos em que a constituição de empresas privadas é incentivada pelo lucro e criticou expressamente as concessões de saúde a longo prazo. Salientou ainda que qualquer outsourcing deve justificar que o serviço não pode ser realizado diretamente pela Administração e está sujeito a uma avaliação prévia.

A própria García introduziu, no entanto, uma nuance relevante: afirmou que a sua iniciativa não pretende eliminar todas as fórmulas de colaboração público-privada, mas limitar aquelas que considera prejudiciais ao sistema, e reconheceu expressamente a existência de modelos de colaboração que descreveu como “saudáveis”.

A questão assume uma dimensão política porque García tem sido durante anos um dos principais críticos do modelo de saúde de Madrid e da relação entre a Comunidade de Madrid e operadores privados como a Quirónsalud.

Por parte do Governo, a ministra insistiu que certos modelos de concessão podem provocar sobrecustos ou incentivar critérios económicos que considera incompatíveis com os objetivos da saúde pública. Em fevereiro, argumentou que a nova lei põe fim à consideração da privatização como uma alternativa supostamente neutra ou mais eficiente e limita a gestão indireta a casos justificados.

No entanto, a realidade dos cuidados de saúde em Ceuta mostra que o próprio Ministério recorre a prestadores privados quando precisa de complementar serviços de saúde que o INGESA não pode oferecer diretamente com os seus próprios meios.

Neste caso, a Quirónsalud não substitui a gestão pública do sistema de Ceuta como um todo, mas presta serviços específicos contratados pela Ingesa. Esta diferença é importante relativamente aos modelos de concessão que García critica em Madrid, mas ao mesmo tempo demonstra a utilidade prática da colaboração com prestadores privados quando existem necessidades específicas de saúde.

Os prémios surgem também num momento particularmente delicado para a saúde de Ceuta. Nos últimos anos, sindicatos e organizações profissionais têm reportado dificuldades em cobrir certas especialidades e atrair médicos, uma fraqueza que se tornou ainda mais relevante após a recente crise migratória e o acentuado aumento da procura de cuidados.

Neste cenário, a Quirónsalud surge como um dos operadores que complementam a capacidade do sistema de saúde pública gerido diretamente pelo Ministério, fornecendo testes de diagnóstico, procedimentos especializados e apoio de saúde quando Ingesa considera necessário recorrer a recursos externos.

A utilização destes serviços também mostra que a discussão entre saúde pública e privada nem sempre responde, na prática, a dois modelos incompatíveis. Mesmo um Ministério que tornou a gestão pública direta um dos seus principais marcos recorre a prestadores privados quando a sua própria capacidade de saúde é insuficiente ou quando necessita de serviços especializados.

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