A Meo, que tem em curso um programa de saídas voluntárias de 1.200 trabalhadores, estima uma poupança de 45 milhões de euros por ano com a reestruturação do quadro de pessoal. A previsão consta de um pedido remetido ao Governo no verão de 2025 para a obtenção de um estatuto especial que lhe permitisse reorganizar a casa, adaptando o negócio ao novo contexto económico e setorial.
Prevendo a saída definitiva de 600 colaboradores por rescisão por mútuo acordo e 500 por pré-reforma, a Meo antecipou ao Governo uma poupança anual no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) “durante os próximos anos” de 45 milhões de euros. O número final acabou por ser superior, com a operadora a confirmar 1.200 saídas definitivas até ao final deste ano de 2026.
Ler maisMeo pediu 500 saídas com subsídio. Governo autorizou 300Esta mexida no número de trabalhadores insere-se num plano mais abrangente de reestruturação do negócio, designado Horizon, que está a decorrer desde o ano passado, envolveu um investimento de 100 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025. O programa conta com seis eixos de atuação, incluindo a substituição gradual de funcionários mais velhos por “perfis” alinhados com as chamadas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
É no requerimento ao Governo a pedir o “estatuto de empresa em reestruturação” – que faz com que as cessações por acordo dos postos de trabalho possam ser consideradas como desemprego involuntário e darem direito a subsídio de desemprego – que constam também os consecutivos prejuízos da Meo nos últimos anos. Aliás, é uma das poucas vezes em que a empresa assume obter um resultado líquido negativo, mais precisamente de “100 milhões de euros em 2024” e “de 136 milhões de euros ao ano, em média, entre 2010 e 2020”.
Segundo os dados depositados no registo comercial, consultados pelo ECO, a Meo – Serviços de Comunicações e Multimédia, S.A (excluindo outras empresas do grupo que estão fora do âmbito da reestruturação) teve um prejuízo de 97,2 milhões de euros em 2024, o que correspondeu a uma redução de quase 70 milhões em relação aos prejuízos do ano anterior. Apesar de terem sido confrontados com estes números, a CTP e as centrais sindicais mostraram-se contra a atribuição do estatuto de empresa em reestruturação, enquanto a CIP, a CAP, a Segurança Social e o IAPMEI não se opuseram ao pedido da empresa.
Apesar de o plano da Meo já ter um ano, a documentação sobre o mesmo foi entregue este mês pelo Governo ao Parlamento, a pedido do PCP. É num dos ficheiros, com informação recolhida pelo IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação), que se assinala também que o programa Horizon da Meo inclui “mais de 350 iniciativas distribuídas pelas diversas alavancas do processo de reestruturação, com implementação transversal em todas as áreas da organização”, sendo o impacto económico agregado estimado em aproximadamente 100 milhões de euros, até 2027, em termos de run-rate (desempenho financeiro).
Contactada pelo ECO sobre este plano, fonte oficial da Meo respondeu: “No âmbito do seu programa de transformação interna, a Meo tem vindo a implementar medidas destinadas a reforçar a sua agilidade, eficiência e competitividade num contexto de rápida evolução tecnológica e elevada pressão concorrencial. Este processo tem privilegiado soluções de saída por mútuo acordo e outros mecanismos de adesão voluntária previstos na lei, acompanhados pelas estruturas representativas dos trabalhadores, assegurando que cada decisão é livre e informada.”
“Importa sublinhar que estamos perante um programa de saídas voluntárias que inclui rescisões por mútuo acordo, reformas e pré-reformas, cujo número previsto de saídas é de 1.200 colaboradores, em dois anos. A Meo mantém, em paralelo, o reforço de equipas e competências em áreas estratégicas para suportar a sua transformação tecnológica e operacional”, acrescentou fonte oficial.

Trabalhadores de saída estavam há décadas na empresa
Numa recente entrevista ao ECO, a CEO da Meo explicou que o programa de saídas voluntárias que arrancou em julho do ano passado irá ser concluído até ao próximo mês de dezembro e garantiu que está a ser “conduzido de forma responsável e transparente com os colaboradores” e “cuidado” com os trabalhadores mais antigos.
“Estamos a falar de pessoas que trabalharam aqui, provavelmente, em média 25 a 30 anos. Portanto, faz parte de um processo normal de modernização da empresa. É fruto da digitalização, não necessariamente da inteligência artificial, mas fundamentalmente da adaptação das nossas competências a novos desafios”, começou por dizer Ana Figueiredo.
“É um programa que tem um misto de pré-reformas e de saídas com rescisão, com mútuo acordo. Fala-se muito dessas 1.200 pessoas e não se fala de que, nos últimos três anos, contratámos 500 pessoas, com competências diferentes ou para reforçar competências que achávamos necessárias”, afirmou ainda a presidente executiva da Meo.
Esclarecendo que os acordos estão “praticamente feitos”, Ana Figueiredo sublinhou que o programa se insere num plano de transformação mais extenso que se prolonga por 2027 e extravasa os cortes nos recursos humanos, incluindo também “áreas de investimento e de transformação”, requalificação de quadros e reforço de competências.






