Publicidade
970×250

Maersk volta a rever em alta previsões de lucros. Como a transportadora está a ‘lucrar’ com a guerra

Empresa, que é a segunda maior transportadora de contentores do mundo, considera que o mercado global se mantém no caminho para um crescimento de 4% este ano, apesar da situação geopolítica.

Partilhar

A Maersk reportou lucros de três mil milhões de dólares no segundo trimestre, valor que supera as previsões para o período de abril a junho, tendo revisto em alta, pela segunda vez este ano, as expectativas de resultados para 2026. Um cenário que resulta da forte procura no comércio de contentores e dos preços dos fretes na sequência do conflito no Médio Oriente.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira, o grupo dinamarquês reviu em alta o EBITDA subjacente — indicador que mede o lucro operacional, ajustado para excluir eventos extraordinários, não recorrentes ou fora do controlo da gestão — para entre 10,5 a 12,5 mil milhões de dólares (contra a anterior previsão de 8 a 10 mil milhões de dólares), bem como o EBIT subjacente — indicador que se foca na sustentabilidade e previsibilidade do negócio a longo prazo — para 4,5 a 6,5 mil milhões de dólares (anteriormente 2 a 4 mil milhões de dólares).

Entre abril e junho, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Maersk situou-se nos 3 mil milhões de dólares e o EBIT (resultados antes de juros e impostos) nos 1,6 mil milhões de dólares, uma melhoria em relação tanto ao ano anterior como ao primeiro trimestre.

A empresa, que é a segunda maior transportadora de contentores do mundo, considerou que o mercado global se mantém no caminho certo para um crescimento de cerca de 4% este ano, apesar da situação geopolítica. Assim, e com a procura global no comércio de contentores a superar as expectativas no segundo trimestre, o crescimento noutras regiões mais do que compensou uma contração de 40% nas importações do Médio Oriente, tendo as exportações chinesas sido o principal motor.

Porta-contentores da dinamarquesa Maersk

“Esta dinâmica poderá prolongar-se até ao terceiro trimestre de 2026, uma vez que as exportações da China não mostram sinais de abrandamento. No entanto, o conflito por resolver no Médio Oriente continua a exigir cautela“, assinala a Maersk no comunicado.

Olhando para os diferentes segmentos, o “transporte marítimo” deu o principal contributo para as receitas globais de 15,8 mil milhões de euros da Maersk no trimestre (+20% em termos homólogos), ao elevar a receita em dois mil milhões de dólares, o EBITDA a subir de 2,3 mil milhões de dólares para 3,0 mil milhões de dólares e o EBIT a aumentar de 845 milhões de dólares para 1,6 mil milhões de dólares, enquanto a margem EBIT atingiu 10,0%.

Os volumes carregados cresceram 4,1%, impulsionados pelas exportações para o continente asiático, enquanto a taxa média de frete carregado aumentou 22%. A utilização das embarcações manteve-se elevada, nos 96%, e o custo unitário, excluindo os custos de energia, diminuiu 0,8%, uma vez que os volumes mais elevados compensaram o aumento de 19% dos custos operacionais.

Ler maisTensão no Médio Oriente não dá tréguas com novos ataques

O conflito no Médio Oriente fez também com que o preço médio do combustível subisse 44% em relação ao ano anterior, embora a empresa tenha afirmado ter compensado o impacto através da otimização do consumo de combustível e de medidas comerciais.

Já o segmento de “logística e serviços” teve um aumento homólogo das receitas de 15% e melhorou a margem EBIT para 5,1%, mais 0,5 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Os volumes na divisão de “terminais”, por sua vez, cresceram 2,2%, tendo tido uma subida das receitas em 11%, apoiadas por um aumento de 7,1% na receita por transporte, impulsionado por tarifas mais elevadas e pelo aumento das receitas de armazenamento.

A Maersk beneficiou do aumento acentuado das taxas de frete, das perturbações no comércio e do crescimento das exportações da China, ao mesmo tempo que a empresa conseguiu repercutir os custos mais elevados do combustível nos clientes“, afirmou Haider Anjum, analista do Jyske Bank, numa nota citada pela Reuters.

Ao final da manhã, as ações da Maersk na Bolsa de Valores de Copenhaga subiram 6,12%, para 18.470 coroas dinamarquesas por ação (cerca de 2.470,71 euros), tendo já estado a valorizar 8% na abertura do mercado.

A Maersk beneficiou do aumento acentuado das taxas de frete, das perturbações no comércio e do crescimento das exportações da China, ao mesmo tempo que a empresa conseguiu repercutir os custos mais elevados do combustível nos clientes.

Haider Anjum

Analista do Jyske Bank

Partilhar

Comentários (0)

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião

Precisa fazer login para poder comentar. Entrar

Publicidade
728×90

Receba o melhor do ECO na sua caixa de entrada

15 newsletters sobre economia, mercados, IA, direito e muito mais.