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Jacinto investe três milhões em unidade para produzir veículos de defesa

Veículos de defesa com proteção balística e terrestres operados remotamente são foco da recém-criada Jacinto Defense tendo na mira o mercado externo. “Passo natural”, diz co-CEO ao ECO/eRadar

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Com mira na defesa, “uma área com elevado potencial de crescimento”, a Jacinto avançou com uma nova unidade dedicada, a Jacinto Defense, na qual vai investir três milhões de euros numa unidade de produção que “deverá estar pronta a laborar no final do primeiro trimestre de 2027”. Veículos de defesa com proteção balística e veículos terrestres operados remotamente (UGV) são o foco com a mira no mercado externo. A expectativa é o grupo fechar o ano com receitas acima dos 40 milhões de euros.

Fabricante de veículos especiais para combate a incêndios, proteção civil, emergência e aplicações especiais, o setor de defesa era uma área onde a empresa já vinha a desenvolver atividade. A criação da Jacinto Defense é, por isso, “um passo natural”.

“Ao longo das últimas décadas, a Jacinto consolidou competências reconhecidas no desenvolvimento e produção de veículos especiais para missões críticas, nomeadamente nos setores dos bombeiros, proteção civil, emergência e operações especiais”, começa por referir Jacinto Reis, co-CEO da Jacinto, ao ECO/eRadar.

“A crescente procura internacional por soluções de mobilidade tática, proteção, apoio logístico e integração tecnológica levou-nos a estruturar uma unidade de negócio dedicada ao setor da defesa, capaz de responder de forma mais especializada às exigências deste mercado”, continua.

A primeira fase das instalações industriais [para a defesa] deverá estar pronta a laborar no final do primeiro trimestre de 2027. São instalações completamente novas dedicadas à defesa, com cerca de 4.000 metros quadrados. Para produção de veículos para a defesa com proteção balística e industrialização de UGV.

Projeto que “implica um investimento de três milhões de euros”.

Jacinto Reis

CoCEO da Jacinto

O nosso objetivo passa por desenvolver uma oferta própria e diferenciadora, baseada na engenharia, inovação e capacidade industrial da Jacinto, reforçando simultaneamente a nossa presença em mercados estratégicos e contribuindo para a autonomia industrial europeia nos domínios da segurança e defesa”, adianta.

A implementação da nova unidade está em curso. “Já dispomos de competências instaladas e de projetos em curso, estando a formalização desta unidade focada em criar uma estrutura dedicada que permita acelerar o desenvolvimento de novos produtos, estabelecer parcerias estratégicas e reforçar a presença internacional”, diz.

Trata-se, diz o gestor, de “um projeto de longo prazo”, sendo que “a primeira fase das instalações industriais deverá estar pronta a laborar no final do primeiro trimestre de 2027”.

“São instalações completamente novas dedicadas à defesa, com cerca de 4.000 metros quadrados. Para produção de veículos para a defesa com proteção balística e industrialização de UGV”, revela. Projeto que “implica um investimento de três milhões de euros”, precisa quando questionado pelo ECO/eRadar.

O foco no mercado internacional

Embora a unidade Jacinto Defense seja recente enquanto estrutura, a empresa já vinha desenvolvendo atividade em segmentos associados à defesa e segurança nos últimos anos, adianta Jacinto Reis.

“Atualmente, trabalhamos em várias geografias onde a Jacinto possui presença consolidada, nomeadamente na Europa, América Latina e África, desenvolvendo contactos e projetos com entidades militares, forças de segurança e organismos governamentais”, adianta sem mais detalhes sobre as geografias em que atuam neste segmento.

Hoje o setor da defesa representa ainda “uma parcela limitada da faturação global”, mas “é uma área com elevado potencial de crescimento, sobretudo devido ao atual contexto geopolítico internacional e ao reforço dos investimentos em defesa por parte de diversos países”, destaca o co-CEO.

O foco da Jacinto Defense é claramente internacional. Portugal continuará a ser um mercado estratégico, mas a dimensão do setor exige uma abordagem global. Pretendemos consolidar a nossa presença nos mercados onde o Grupo Jacinto já desenvolve atividade e expandir para novas geografias.

Jacinto Reis

CoCEO da Jacinto

Só na Europa, Bruxelas está a investir cerca de 800 mil milhões de euros até 2030 para reforçar a autonomia de defesa da região e os diversos Estados-Membros da União Europeia, quer por via do empréstimo europeu SAFE — num montante global de 150 mil milhões de euros — quer por recursos aos seus orçamentos internos, têm vindo a reforçar os investimentos em novos equipamentos militares. Até 2035, os países NATO assumiram o compromisso de de atingir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimento em defesa, dando músculo europeu à chamada NATO 3.0.

“O foco da Jacinto Defense é claramente internacional. Portugal continuará a ser um mercado estratégico, mas a dimensão do setor exige uma abordagem global. Pretendemos consolidar a nossa presença nos mercados onde o Grupo Jacinto já desenvolve atividade e expandir para novas geografias”, adianta Jacinto Reis quando questionado sobre mercados-alvo. Portugal e restante Europa, países da NATO, América Latina; países de Língua Oficial Portuguesa e África são os alvos prioritários.

A nossa estratégia passa por crescer de forma sustentada através de parceiros locais, distribuidores especializados e alianças industriais“, detalha.

Fechar o ano com receitas globais acima dos 40 milhões

Jacinto Reis não revela valores em termos de futuras receitas, mas a expectativa em torno da nova unidade de negócio é elevada. “A Jacinto Defense poderá tornar-se um dos principais motores de crescimento da empresa nos próximos anos”, considera.

E explica porquê. “O mercado da defesa caracteriza-se por projetos de maior dimensão, ciclos de vida mais longos e elevado nível de incorporação tecnológica, fatores que geram oportunidades relevantes para empresas industriais com forte capacidade de engenharia e produção”, diz. “Acreditamos que esta aposta permitirá diversificar fontes de receita, aumentar a presença internacional e criar oportunidades de cooperação tecnológica e industrial”, destaca.

O objetivo é que, durante os próximos três a cinco anos, a Jacinto Defense assuma um papel cada vez mais relevante no crescimento do Grupo Jacinto”, conclui.

Unidade de produção da Jacinto.

A nova unidade “beneficia da experiência acumulada das equipas de engenharia, produção, qualidade, compras e desenvolvimento de negócio já existentes no Grupo Jacinto”, sendo o projeto “acompanhado diretamente pela administração da empresa e por uma equipa multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento desta área estratégica”.

“À medida que a atividade for crescendo, está prevista a integração de novos perfis técnicos e comerciais especializados no setor da defesa, reforçando as competências atualmente existentes”, refere ainda.

Hoje o grupo emprega cerca de 180 colaboradores, dispondo de instalações industriais e capacidade própria de engenharia, desenvolvimento e produção. Exportam para “dezenas de países distribuídos por vários continentes, mantendo uma forte presença na Europa, América Latina, África e Médio Oriente“, com o mercado externo a representar uma “parcela muito significativa” da atividade do grupo.

Depois de fechar no ano passado com um volume de negócios na ordem dos 40 milhões de euros, “as previsões apontam para um novo ano de crescimento, sustentado pela expansão internacional, diversificação de produtos e reforço da carteira de encomendas”, estima Jacinto. “A expectativa é encerrar o exercício com um volume de negócios superior ao do ano anterior”, aponta sem precisar um valor.

Grupo reorganiza

A criação da Jacinto Defense faz parte de “uma estratégia mais abrangente de transformação da Jacinto”, destaca Jacinto Reis. Recentemente o grupo avançou “com uma reorganização societária através da criação de uma holding, reforçando a capacidade de gestão e crescimento das diferentes unidades de negócio”, adianta. “Esta evolução permitirá potenciar sinergias entre as áreas dos bombeiros, proteção civil, emergência, indústria e defesa”, justifica.

“Estamos igualmente a investir na inovação, digitalização, inteligência artificial e desenvolvimento de novas competências, preparando a empresa para responder aos desafios tecnológicos dos próximos anos”, refere ainda.

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