Os fundos de private equity continuam a entrar no capital das auditoras e empresas de contabilidade europeias – e a associação Accounting Europe considera que esse movimento irá manter-se, tendo em conta que só nos primeiros quatro meses do ano o volume de transações ultrapassa o registado em 2023.
A associação que representa os profissionais de contabilidade, auditoria e consultoria na Europa conclui que o investimento de private equity neste setor “passou de uma tendência emergente para uma característica consolidada do panorama europeu”, tanto que a atividade transacional nos últimos 16 meses está a decorrer a um ritmo que ultrapassa todo o ano de 2024 e “não há sinais claros de desaceleração generalizada”.
“O investimento externo em escritórios de contabilidade pode vir de diferentes fontes, como a participação acionista de colaboradores ou mesmo familiares, investidores passivos de longo prazo, como fundos de pensões ou ofertas públicas iniciais (IPO), mas atualmente o private equity é o mais proeminente no setor”, lê-se no relatório da Accounting Europe.
Entre janeiro e abril, a Accounting Europe identificou 131 operações de investimento de private equity na área contabilística, 62 das quais envolvendo auditoras, o que corresponde a um aumento de 33% em comparação com o mesmo período de 2025. Por exemplo, na sequência de a Castik Capital ter comprado uma posição maioritária no grupo de contabilidade norueguês Aider, ambos avançaram para a aquisição da Baker Tilly Dinamarca, com 180 colaboradores e um volume de negócios anual de aproximadamente 300 milhões de coroas (27,5 milhões de euros) em fevereiro.
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De 2015 a abril de 2026, mais de metade dos negócios (60%) envolveram empresas locais de contabilidade, fiscalidade e consultoria, enquanto aproximadamente 40% foram com empresas que também prestam serviços de auditoria e assurance (garantia).
O crescimento do private equity na contabilidade remonta ao pós-Covid-19, quando o mercado atingiu um ponto de inflexão após uma atividade limitada entre 2015 a 2020, com 10 a 20 investimentos por ano em todo o continenteo mercado atingiu um ponto de inflexão após uma atividade limitada entre 2015 a 2020, com 10 a 20 investimentos por ano em todo o continente, e modesta nos dois anos seguintes. A partir daí, superou a centena de operações e em 2024 quintuplicou.
“Este ritmo continuou em 2025, quando as transações subiram para 385, representando um aumento de quase nove vezes em apenas quatro anos. A tendência persistiu em 2026, com 131 transações já identificadas nos primeiros quatro meses do ano, colocando a atividade no bom caminho para se manter em níveis igualmente elevados”, informa a entidade com sede em Bruxelas, pouco mais de um ano após ter publicado uma primeira análise sobre esta temática.
Quem arrancou este processo durante a pandemia encontra-se numa fase posterior, de desinvestimento (exit). É o caso da britânica Xeinadin, apoiada pela Exponent Private Equity, que contratou a Evercore para iniciar uma venda que levasse a uma avaliação da empresa superior a mil milhões, mas as ofertas ficaram aquém do nível desejado. A mesma opção foi tomada pela concorrente Sumer, apoiada pela Penta Capital Partners, que ainda reuniu “vários” potenciais compradores.
Há uma explicação para o fenómeno: longe vão os tempos em que as firmas e boutiques de auditoria e contabilidade funcionavam apenas por estruturas de sociedade e crescimento orgânico. O desenvolvimento tecnológico, nomeadamente com a massificação do uso de inteligência artificial, trouxeram outro género de investimentos em prol da competitividade e também um novo perfil de investidores, que se viram interessados nas receitas, fluxos de caixa e potencial de crescimento destas empresas.
Auditoras britânicas conquistam capital privado
O Reino Unido foi o mercado onde os investidores privados mais apostaram. Na última década, o Reino Unido representou mais de 40% dos negócios de private equity no setor das contas na Europa, totalizando 233 transações desde 2015, de acordo com os últimos dados disponíveis. O movimento continua, uma vez que nos primeiros quatro meses deste ano as auditoras e as empresas de contabilidade britânicas se mantêm na liderança da tabela com 41 transações.
A Suécia e a Noruega seguiram-se com 52 e 50 transações, respetivamente, enquanto os Países Baixos e a Bélgica completaram o ‘top’ cinco. No entanto, a Accounting Europe detalha que a presença geográfica se alargou no último ano.
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A associação elenca como ameaças deste investimento externo o risco regulatório, de envolvimento precoce e de qualidade, questões éticas e de independência, desalinhamento cultural, contratação de consultoria e expertise risco regulatório, de envolvimento precoce e de qualidade, questões éticas e de independência, desalinhamento culturalexterna, impacto no mercado de auditoria e risco de estratégia de saída. Porém, há ainda uma série de oportunidades: investimento em inovação e tecnologia, consolidação, eficiência e sinergias, retenção e desenvolvimento de talentos, maior visibilidade da marca e alcance de mercado e acesso a redes empresariais mais amplas.






