Inês Rocha de Gouveia, presidente da Fundação Santander, é a 91ª convidada do podcast “E Se Corre Bem?”. Desde pequenina que gostava de desenhar e pintar para expressar sentimentos e digerir emoções. Achava, por isso, que o seu sonho era ser pintora. No entanto, mais tarde, acabou por escolher gestão e, apesar de ainda desenhar com o mesmo propósito, acabou por encontrar a sua vocação profissional na gestão de pessoas.
“Eu vejo a pintura e o desenho como uma tentativa de abstração para entender melhor as coisas. Há pessoas que escrevem tudo, há pessoas que falem e leem em voz alta, mas eu, quando tenho algo muito interessante em mim, tento fazer um desenho. Sempre gostei de construir coisas, transformar, mobilizar, portanto, quando pensei no que ia fazer, escolhi gestão. Mas um dia mais tarde quero licenciar-me em pintura”, começou por dizer.
Depois de se licenciar em gestão, quis começar a sua carreira numa multinacional e acabou por entrar na Moulinex, “que fez uma parceria com a Krups e lançou a Nespresso”: “Foi muito giro porque era um modelo sem lojas, mas eu queria mesmo era criar e ir de encontro ao cliente. Na altura, estavam na moda as telecomunicações e eu acabei por ir para a TMN“.
Na TMN, estava a “desenvolver capacidades muito analíticas”, relacionadas com a política de preços, “que era muito complicada”, mas adorava esse desafio. No entanto, apesar de se estar a “sentir muito bem” na empresa, recebeu um convite que acabou por mudar para sempre a sua vida: “Fui desafiada pelo BPI e foi uma mudança grande”.
Quando aceitou o convite do BPI, entrou no mundo da banca, um mundo pelo qual se apaixonou e do qual nunca mais saiu. “Ir para um banco que tem uma série de oportunidades de carreira foi muito diferente porque voltei a estar numa empresa de gestores, feita por gestores. Quando mudei, fui para a área de pagamentos e cartões, que era a coisa mais tecnológica. O cartão era o único tangível, portanto era uma proposta de valor ao cliente que estava a mudar muito”, explicou.
A verdade é que estava a gostar muito do desafio, mas acabou por mudar novamente, desta vez para o Santander, e o motivo foi simples: “Eu gosto de mudar. Há pessoas que dizem que é muito difícil, mas para mim sempre foi fácil mudar. E sempre foi um desafio interessante. E não foi nada difícil mudar para o Santander porque já trazia bagagem que pude ir utilizando”.
“Eu quero muito estar onde estou para transformar, para mobilizar, para criar e onde sinto que dou valor acrescentado. Quando chega a uma altura em que estou num business as usual, eu começo a ficar desconfortável e quem me conhece percebe isso. Por isso é que mudei de negócio e, inclusivamente, de país”, continuou, recordando o momento em que se mudou para o Brasil para ser diretora da área de cartões e produtos de créditos particulares.
“Uma das razões pelas quais eu fui para o Santander era porque se tratava de um grupo internacional e, desde a primeira hora, eu disse que estava disponível para uma carreira internacional. E, num verão, o responsável mexicano ligou-me e apresentou-me a proposta de ir para o Brasil. A decisão foi pesada, mas eu queria mesmo sair. Fui para São Paulo e levei a família. Fomos todos”, contou.
Esteve quatro anos no Brasil e, ao fim desse tempo, decidiu regressar a Portugal. Quando chegou, começou logo a trabalhar na criação de coisas novas, tais como a captação de clientes entre rede de clientes e retalho, mas também na Fundação Santander: “Eu vinha do Brasil com uma consciência social mais à superfície da pele e isso fez com que trabalhar com as universidades e com a Fundação Santander, que tem um grande impacto social na educação, fosse espetacular“.
Para Inês Rocha de Gouveia, a educação é, sem dúvida, um grande pilar de prosperidade de uma sociedade, mas realça que é preciso saber aplicá-la. “Quando eu digo que a educação é um mobilizador social e é chave para a prosperidade na economia, falo da educação life long learning, com a capacitação das empresas e das pessoas que estão a trabalhar. Isto porque, se derem valor à educação, as pessoas vão-se preocupar com os seus filhos, vão ser mais ativas na sociedade, e isso vai contribuir para que a escola seja mais positiva, mais inclusiva e mais exigente”, garantiu.
Neste sentido, falou ainda do Santander Open Academy, que tem vários cursos gratuitos em muitas áreas, e no qual já estiveram mais de 500 mil portugueses a fazer cursos: “Não são todos da Geração Z, pelo contrário. Temos uma pool de 35 anos para cima. Isto quer dizer que, em Portugal, as pessoas assumem que precisam de aprender e querem aprender. E, neste âmbito, as novas tecnologias, por definição, aprendem-se com os mais novos. Portanto, se os mais novos têm que aprender a criatividade e a comunicação até para dar um melhor prompt, os mais velhos têm que aprender o que é isto da IA e perceber como lhes pode facilitar“.
Esta “permeabilidade entre gerações” é algo que a presidente da Fundação Santander considera já estar a acontecer: “Quando eu digo que os mais velhos têm de estar na crista da onda é porque, para sermos relevantes e para nos realizarmos, temos de nos reciclar e atualizar. E, hoje em dia, a atualização não é fazer melhor aquela tarefa, mas sim ter mais mundo e saber coisas diferentes. Eu, por exemplo, não poderia realizar-me tanto na Fundação Santander se não quisesse saber sobre educação”.
“As novas gerações talvez sejam menos resilientes do que as gerações acima, mas têm compromisso com o propósito, que é algo que nós não tínhamos. Eles ligam-se ao propósito e ao porquê de estarem a fazer algo. E isso é muito valioso e positivo. Tenho trabalhado com miúdos e graúdos, todos eles muito diferentes e acho que como o propósito é muito importante para eles, também é muito importante trabalhar com uma pessoa que seja um role model. Por isso, eles exigem mais dos líderes. E eu valorizo isso”, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.






