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IA a alucinar em ambiente industrial “pode custar vidas”, alerta CEO da Siemens

Uma alucinação produzida por uma ferramenta de inteligência artificial (IA) num ambiente industrial “pode custar vidas”, alertou esta terça-feira Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, num painel inserido na Conferência .IA, que decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB). “A alucinação em ambiente industrial, em ambiente de operações, não pode acontecer”, salientou a gestora. Ao…

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Uma alucinação produzida por uma ferramenta de inteligência artificial (IA) num ambiente industrial “pode custar vidas”, alertou esta terça-feira Sofia Tenreiro, CEO da Siemens Portugal, num painel inserido na Conferência .IA, que decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB).

“A alucinação em ambiente industrial, em ambiente de operações, não pode acontecer”, salientou a gestora. Ao contrário de uma resposta incorreta numa ferramenta como o ChatGPT, a IA aplicada a operações críticas tem de assegurar que os resultados produzidos são fiáveis, advertiu.

“Esta inteligência artificial é muito mais exigente porque tem de garantir segurança, tem de garantir fiabilidade, tem de garantir que o output que vai gerar é um output realmente correto”, explicou Sofia Tenreiro. “O erro aqui pode custar vidas”, acrescentou, referindo também a possibilidade de encargos financeiros “muito elevados”.

A IA industrial não se limita às fábricas, continuou Sofia Tenreiro. Abrange também hospitais, redes elétricas, empresas de serviços públicos e operações logísticas, áreas onde a tecnologia pode melhorar a eficiência e a qualidade, reduzir custos de manutenção e até ajudar a diminuir emissões de dióxido de carbono.

Para Sofia Tenreiro, a vantagem competitiva não estará no acesso às ferramentas, que será generalizado entre as empresas com capacidade para investir. “Aquilo que é verdadeiramente diferenciador é a informação proprietária, credível, que cada uma das empresas têm”, afirmou, destacando o conhecimento acumulado ao longo de décadas sobre doentes, manutenção, engenharia ou processos industriais.

A CEO deu também como exemplo um projeto desenvolvido com a Heineken para a instalação de uma bomba de calor. O projeto decorreu durante 22 meses “sem um único dia de paragem da produção”, através da utilização de um gémeo digital (digital twin) que simulou o chão de fábrica com 74 milhões de pontos.

Segundo a gestora, praticamente todas as empresas já estão a experimentar ferramentas de IA, mas apenas entre 10% e 15% estarão a alcançar um impacto efetivo nas respetivas operações. Sofia Tenreiro atribuiu esta diferença à falta de dados estruturados, à necessidade de atualizar processos e à dificuldade de levar os trabalhadores a utilizar as novas ferramentas.

“Há uma falta de criatividade muito grande, porque as pessoas não sabem e muitas vezes pensam ‘se eu sempre fiz assim, sem precisar de IA, o que é que a IA me vai dar?’. Portanto, eu acredito muito na partilha de conhecimento”, sublinhou a gestora.

“O humano vai ser sempre um pilar”, defendeu. Para a responsável, as empresas devem identificar as decisões mais frequentes, com menor risco e maior custo, para implementar IA mais eficazmente, mas também proteger os seus dados proprietários e determinar as áreas nas quais “o fator humano vai ser sempre importante e nunca vai ser desprezível”.

A Conferência .IA decorreu esta terça-feira, 14 de julho, no CCB, em Lisboa, e reuniu um conjunto alargado de gestores, decisores políticos e especialistas. Sofia Tenreiro foi oradora num painel de executivos sobre como decidem os CEO nesta era da IA.

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