O número de espanhóis que decidiram adiar a passagem à reforma e trabalhar, assim, para lá da idade normal de acesso à pensão de velhice quase duplicou nos últimos sete anos, de acordo com os dados citados esta terça-feira pelo El Economista. Os incentivos ao prolongamento da vida ativa explicam esta evolução, sendo que também em Portugal existem bonificações para quem adiar a saída do mercado de trabalho.
Segundo o jornal, que cita os números divulgados esta manhã pela Segurança Social do vizinho ibérico, foram registados 218.325 pedidos de pensão em agosto, dos quais 11,8% correspondem a trabalhadores que adiaram voluntariamente a passagem à reforma.
Ler maisSalários da indústria sobem acima da inflação“Essa proporção é superior em sete pontos percentuais à registada em 2019 e é quase o dobro do verificado há sete anos“, destaca o El Economista, que refere ainda que a idade média de pensão atingiu, entretanto, os 65,4 anos, um ano acima do registado em 2019.
A explicar esta evolução, aponta o jornal, estão, nomeadamente, os incentivos ao prolongamento da vida ativa implementados em 2022, bem como as mudanças feitas nas regras das reformas.
Já em reflexo desse adiamento e desses estímulos, a pensão média tem crescido, rondando, neste momento, os 1.373 euros mensais, mais 4,6% do que no ano anterior.
Estes dados são conhecidos numa altura em que o futuro da Segurança Social está em discussão em Portugal, depois de ter sido conhecido um novo relatório sobre a sustentabilidade desse sistema.
Essa análise, da autoria de um grupo de trabalho coordenado pelo professor Jorge Bravo, endereço, nomeadamente, as bonificações aplicadas a quem decide adiar a reforma, recomendando-se uma “recalibragem para garantir a neutralidade atuarial”. Os peritos fazem a mesma recomendação no que diz respeito às penalizações hoje aplicadas a quem se reforma antecipadamente, conforme escreveu o ECO.
Ler maisSalários da indústria sobem acima da inflaçãoPor outro lado, a idade da reforma praticada em Portugal tem estado em discussão há vários meses, uma vez que o Chega tem insistido que é preciso baixar essa fasquia. Aliás, fez disso uma condição para a viabilização da reforma laboral (e foi esse o ponto que acabou por travar essa revisão legislativa) e já anunciou que é também uma das matérias que quererá discutir no Orçamento do Estado para 2027.
Em entrevista ao ECO, o professor Jorge Bravo defendeu que aceitar esta proposta do Chega e baixar a idade da reforma (que hoje evolui em função da esperança média de vida) seria “convidar os cidadãos a terem pensões mais baixas“, além de implicar um impacto financeiro enorme.






