
O grupo Frasers, detido em 73,7% pelo multimilionário britânico Mike Ashley, não conseguiu adquirir a totalidade das ações da Hugo Boss, como pretendia, mas aumentou a sua posição no capital da empresa alemã para 47,89%.
“A Frasers tem o prazer de confirmar que recebeu aceitações válidas da oferta referentes a 12.157.598 ações da Hugo Boss, correspondentes a aproximadamente 17,62% do capital e direitos de voto”, confirmou o grupo Frasers em comunicado. “Como resultado, após o término do período adicional de aceitação da oferta, o número de ações da Hugo Boss objeto de aceitação da oferta, somado às ações diretamente detidas pela Frasers, totaliza 33.054.959 ações da Hugo Boss. Isto corresponde a aproximadamente 47,89% do capital social”, acrescentou.
A Frasers, que entre outras também detém as cadeias House of Fraser e Sports Direct, já era a maior acionista da Hugo Boss, com 26,06%, quando anunciou, em junho, o lançamento de uma oferta sobre a totalidade do capital da marca de vestuário, propondo pagar dois mil milhões de euros, ou 38 euros por cada ação que ainda não detinha.
Ler maisDona da Sports Direct compra histórico Harvey NicholsContudo, em julho, a administração da Hugo Boss declarou-se desfavorável à Oferta Pública de Aquisição (OPA), considerando-a “desadequada de um ponto de vista financeiro”, por representar apenas um prémio de cerca de 4% face à cotação das ações da Hugo Boss nas vésperas do anúncio. Assim, a marca recomendou aos acionistas que mantivessem os seus títulos, sem os alienar à Frasers.
Após um período inicial em que apenas 7% do capital da Hugo Boss aceitou a oferta do grupo, Mike Ashley prolongou o período até ao passado dia 13 de agosto. Mas não conseguiu obter o aval para adquirir a restante parcela, ficando, ainda assim, com uma posição de quase metade dos títulos da Hugo Boss.
Segundo a Bloomberg, Mike Ashley tem assumido uma postura de investidor-ativista desde que entrou no capital da Hugo Boss, em 2020, apelando a mudanças numa marca que tem enfrentado dificuldades financeiras devido ao arrefecimento da procura. Desde que o atual CEO chegou ao cargo, em 2021, a marca alemã tem vindo a implementar um plano para melhorar o seu desempenho financeiro através do fecho de lojas e da otimização da oferta.
Todavia, no início deste mês, a Hugo Boss revelou uma quebra de 29% no resultado líquido do segundo trimestre, para 33 milhões de euros, perante uma descida de 10% nas vendas, para 905 milhões de euros, e um aumento de 4% nos custos operacionais.
As ações da Hugo Boss iniciaram a sessão desta terça-feira a cair 0,66%, para 37,85 euros, abaixo dos 38 euros que eram oferecidos pela Frasers. Já os títulos desta última sobem 1,45%, para 806 pence.
(Notícia atualizada às 8h31 com cotação das ações da Hugo Boss e da Frasers)






