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GovHorizon entra no Espaço e coloca IA ao serviço da Agência Espacial Portuguesa

Sediada na Startup Leiria, empresa lançada por antigo secretário de Estado da Justiça pretende angariar cerca de 300 clientes e alcançar até quatro milhões de euros de faturação em três anos.

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A GovHorizon vai apoiar a Agência Espacial Portuguesa a antecipar tendências tecnológicas e desenvolvimentos geopolíticos com impacto na política espacial nacional. A startup usa a inteligência artificial (IA) para analisar grandes volumes de dados permitindo anteceder cenários e está também a traçar caminho na defesa, um dos setores alvo.

“Na defesa também temos estado a avançar. Fomos recentemente selecionados pela IdD [Portugal Defence] como uma das empresas para o dia de Portugal na NATO e tem havido bastante disponibilidade. Estamos a preparar a nossa integração em consórcios, mas são processos mais longos, que ainda decorrem”, adianta Pedro Tavares, CEO e cofundador da GovHorizon, ao ECO/eRadar.

Antigo secretário de Estado da Justiça, Pedro Tavares lançou no ano passado a startup GovHorizon, juntamente com Isabel Rosa (CTO), Guido Santos (COO), Luís Pinto e Sérgio Pereira. O objetivo é colocar a IA ao serviço do apoio da decisão de empresas e organizações através da análise e processamento de mais de 150.000 fontes diárias — desde dados estatísticos, macroeconómicos, legislação (publicada ou ainda em fase de proposta), por exemplo —, cruzando com a informação da própria organização permitindo decisões mais fundamentadas.

E, num momento particularmente exigente para o setor espacial — com a União Europeia preparar a futura Lei do Espaço, com a aceleração dos investimentos públicos e privados na economia espacial e a crescente articulação entre espaço, defesa e segurança — vai colocar a sua plataforma e serviços ao dispor da Agência Espacial Portuguesa. A plataforma acompanha propostas legislativas ainda em preparação e sinaliza tendências com potencial impacto no setor espacial. E ao reduzir o esforço de monitorização, liberta a equipa para a análise e a definição de estratégia.

“O setor do espaço evolui a uma velocidade sem precedentes, que obriga a definir o posicionamento das instituições com antecedência e sobre matérias cada vez mais complexas, da legislação europeia à geopolítica. Trabalhar com uma plataforma portuguesa capaz de ler esses sinais mais cedo é uma vantagem para Portugal e para o ecossistema espacial nacional”, afirma Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, citado em comunicado.

O Espaço é um dos setores regulados — financeiro, telecomunicações, saúde, energia, administração pública, defesa, tanto público, como privado — que a startup tinha definido como mercados-alvo para a sua oferta de serviços — estratégia, inteligência de mercado, compliance e competitividade, com versões específicas para cada um dos setores foco —, e que podem ser adquiridas através de uma licença anual.

Temos recebido bastante interesse destes setores em que nos estamos a posicionar. O financeiro, nomeadamente na área de compliance, por permitir uma redução de até 30% de tempo manual de verificação de informação e produção de pareceres, tem tido bastante interesse e contamos apresentar os primeiros casos de uso brevemente. Mas noutros setores, como administração pública local também tem tido bastante adesão, pela capacidade de antecipar cenários práticos dentro do território, por freguesia, e associados a disponibilidade de recursos”, aponta Pedro Tavares ao ECO/eRadar.

Acreditamos que este caso de uso [com a Agência Espacial Portuguesa] se poderá consolidar como boa prática e permitir também mostrar noutros contextos internacionais, tanto públicos como privados. Temos sentido esse interesse e acreditamos que irá ser reforçado.

Pedro Tavares

Cofundador e CEO da GovHorizon

E, no caso da Defesa, “tem havido grande disponibilidade”. Recentemente, foram selecionados pela idD Portugal Defence, entidade que agrega as participações do Estado em empresas de defesa, para estar presentes no dia de Portugal na NATO. “Estamos a preparar a nossa integração em consórcios, mas são processos mais longos, que ainda decorrem”, diz.

Sediada na Startup Leiria, com escritório em Lisboa no AIHub by Unicorn Factory, nos planos da startup está ainda a internacionalização. Em abril, referiam ao ECO/eRadar a Bélgica, Países Baixos e França como mercados onde já estamos a trabalhar de forma ativa, mas expandir para o Brasil era uma ambição.

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“Acreditamos que este caso de uso [com a Agência Espacial Portuguesa] se poderá consolidar como boa prática e permitir também mostrar noutros contextos internacionais, tanto públicos como privados. Temos sentido esse interesse e acreditamos que irá ser reforçado”, afirma Pedro Tavares quando questionado sobre a evolução dos planos de internacionalização da startup.

Em três anos, pretendiam angariar cerca de 300 clientes e alcançar três a quatro milhões de euros de faturação. “O objetivo mantém-se, com a expectativa de lançar o produto em versões mais simplificadas para pequenas e médias empresas, aumentando mais a capacidade de acesso a esta ferramenta estratégica e competitiva a uma tipologia de empresas que, por exemplo, em Portugal representa cerca de 99% do tecido empresarial”, diz o CEO.

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