A Nova, uma espécie de startup no mundo dos postos de combustível em Portugal, está pronta para captar as bombas Moeve “que não estão satisfeitas” com eventuais mudanças que decorram da fusão parcial entre esta petrolífera e a Galp. A Nova foi contactada por cerca de “12 a 15” gasolineiras que estão apreensivas com o negócio ibérico, que deverá ser assinado em outubro.
O diretor executivo da Nova, Ricardo Coimbra, diz ao ECO que, nestas movimentações de mercado, “é natural” que os vários operadores “consultem a concorrência”. “Naturalmente, já estão a ser desenvolvidas algumas conversas com esses parceiros que procuram alternativas porque, por um motivo ou por outro, não veem essa alteração com bons olhos. Portanto, é aí que nós queremos estar, e tentar não só identificar a oportunidade, como otimizá-la”, afirmou.
Ler maisRede Nova prevê chegar a 50 postos de combustível em 3 anosRicardo Coimbra olha para a situação como uma “oportunidade” para rivais como a Nova. “Por um lado, a junção de duas insígnias, numa perspetiva macro, é positiva, porque consolida mais marcas. Por outro, abre uma geral oportunidade para toda a concorrência, onde a Nova se insere, porque há sempre alguém que não vê com bons olhos essa junção”, argumentou o antigo administrador da Prio.
“Desde que [o acordo Galp-Moeve] veio à tona para o mercado, diria que estamos a falar de um número superior a 12, 15 operadores de insígnia Moeve que, eventualmente, não veem a passagem para Galp (a confirmar-se) como uma vantagem. Para nós, isso é interessantíssimo”, admitiu o empreendedor do retalho de produtos petrolíferos.
Ricardo Coimbra, que cofundou a rede Nova com capitais próprios, reconhece que a Galp “é a maior insígnia em Portugal” e que lhe tem “todo o respeito”, portanto escusa-se a opinar sobre o entendimento das gasolineiras, preferindo apenas “tentar aproveitá-lo”, em proveito da sociedade que criou com a empresária aveirense Maria José Pereira.
Na Nova estamos sempre à espreita e numa perspetiva de copo meio cheio a tentar identificar oportunidades que o mercado liberta. Tenho uma ‘máxima’ que é: os parceiros (clientes) não são da Nova nem da concorrência, mas sim do mercado, porque têm autonomia para decidir com quem é que querem estar.
Na opinião de Ricardo Coimbra, entre as vantagens da transição dos postos para esta insígnia está um modelo de loja “assente na simplicidade”, a portugalidade (sem acionistas estrangeiros) e “instigar muito a ótica de empresário”, dando “total liberdade” ao dono do espaço. Como? Permitindo-lhes que façam uma gestão autónoma.
“De há alguns anos a esta parte, o empresário ligado ao setor da energia teve, por posicionamento das companhias, uma perspetiva diferente do negócio: tem alguma segurança de gestão, mas deixa de ser um empresário verdadeiramente autónomo. O que propomos é quebrar esta corrente e fazer deles verdadeiramente empresários numa ótica operacional em que a gestão do pricing, do stock e das lojas está totalmente a cargo deles com a nossa consultoria”, esclareceu o gestor natural de Molelos, em Tondela, na entrevista ao ECO.

A rede Nova conta com 15 postos de abastecimento e conta aumentar o portefólio para cerca de 50 nos próximos três anos. A ambição é manter um projeto ao estilo “PME” sem chegar “às 100 ou 150 posições”, até porque aí teria de recorrer a financiamento ou investidores externos, o que não está nos planos da empresa familiar. “Foi uma decisão que, com base na experiência do passado, foi fácil de tomar: preferimos ter total autonomia e assegurar o preço da nossa liberdade, fazendo um crescimento um bocadinho mais lento”, frisou Ricardo Coimbra.
Além disso, existe outro travão: o preço da matéria-prima. O cofundador da Nova confirma que sofreu um “aumento considerável nos custos operacionais devido ao preço dos combustíveis, que agora condiciona as abordagens iniciais de investimento em gasolineiras. Em setembro de 2025, quando abriu a empresa, os Estados Unidos ainda não tinham atacado o Irão e não se vislumbrava esta oscilação na cotação do Brent. “Agora o processo logístico é gerido com muito mais cautela. O controlo é feito de uma forma muito mais próxima e apertada, porque pode influenciar muito o dia-a-dia do negócio”, reconhece.






