Há 47 milhões de euros por ano a escapar entre as mãos de motoristas e pequenas frotas de TVDE em Portugal, perdidos em ineficiências. Os números são da GalgoSheets que acaba de levantar 150 mil euros para ajudar os pequenos empresários do setor a combater os problemas de gestão com o uso de tecnologia e IA.
Depois de ajudar o setor da restauração a otimizar as suas vendas nas plataformas de entrega com a startup Pleez, Vasco Sampaio quer fazer o mesmo para o setor de TVDE. “Quando percebi que o setor do TVDE é constituído por frotas que lutam para ser rentáveis, vi a oportunidade para entrar e ajudá-los com gestão financeira. O problema que descobri que é comum a todas as frotas: pagamentos semanais aos motoristas”, justifica o cofundador da GalgoSheets, ao ECO.
“Por lei, os motoristas são proibidos de trabalhar para as plataformas TVDE em nome individual, tendo que o fazer através de frotas registadas para o efeito. As plataformas, por sua vez, transferem o dinheiro das viagens semanalmente para as frotas. E os donos dessas mesmas, pagam aos motoristas. Descontam os custos associados, como o combustível, aluguer da viatura e portagens, e pagam aos motoristas”, descreve. “É um problema não só pela falta de tecnologia disponível no mercado para tornar este processo como também pela falta de literacia financeira de muitos frotistas”, conclui.
E é aqui que entra a GalgoSheets. O seu software sincroniza automaticamente a faturação da Uber e da Bolt — as duas plataformas de TVDE — com os custos como combustível e Via Verde suportados pelos frotistas. O que antes era feito manualmente em Excel, agora é feito num clique e com apoio de IA. Resultado? Uma redução de 85% no tempo gasto com tarefas administrativas (de três horas para 30 minutos em frotas de 60 carros) e uma diminuição de 16% das perdas por erros de cálculo manual, aponta a startup.
“A Galgo funciona como uma espécie de estabilizador da economia das plataformas, introduzindo alguma previsibilidade numa atividade que levanta muitas dificuldades a quem nela trabalha”, dizem.
O setor de TVDE é fragmentado. Cerca de 14 mil empresas gerem 35 mil veículos, com uma média de 2,5 carros por empresa. É ainda um setor instável. Desde que entrou no mercado, há cerca de um ano, das 10 mil frotas contactadas pela startup 23,4% já abandonou a atividade.
Servimos única e exclusivamente o mercado TVDE. Trabalhamos já com clientes como a Ubimov, Hábil Sintonia e Rotamutavel. Enquanto pretendemos continuar a crescer a nossa base de frotas clientes queremos também começar a servir diretamente os motoristas TVDE.
Uma falta de escala que, dizem, custa ao setor 47 milhões de euros por ano: em custos administrativos (3,2 milhões), com a dispersão em microempresas a multiplicar despesas de contabilidade; combustível mais caro (12,7 milhões) — frotas pequenas não têm poder negocial para os descontos (cerca de 12 cêntimos/litro) que os grandes operadores conseguem –; compra de carros sem liquidez (13,5 milhões) — a importação direta poupa até 15% (cerca de 18 mil euros por veículo), mas exige pronto pagamento. As microempresas compram a crédito e perdem essa margem, num mercado onde se trocam 5.000 veículos por ano, e, por fim, seguros fracionados mensalmente com sobrecusto de 20%.
A GalgoSheets gere atualmente mais de 140 frotas e mais de 3.000 motoristas em Portugal. “Servimos única e exclusivamente o mercado TVDE. Trabalhamos já com clientes como a Ubimov, Hábil Sintonia e Rotamutavel. Enquanto pretendemos continuar a crescer a nossa base de frotas clientes queremos também começar a servir diretamente os motoristas TVDE”, adianta Vasco Sampaio.
Objetivos com a ronda
Agora a startup entra numa nova fase. “A empresa foi 100% bootstrapped até agora. Começamos um capítulo em que queremos acelerar o crescimento do produto atual e explorar outras maneiras de servir o mercado TVDE, com produtos direcionados diretamente aos motoristas”, adianta o fundador. Acaba de levantar junto do LX Launch, venture studio focado na criação e no desenvolvimento de startups de inteligência artificial (IA), 150 mil euros.
“Consolidar a nossa posição como líderes de mercado” está nos objetivos com esta injeção de capital. “Atualmente, contamos com cerca de 8% a 10% de quota de mercado e ambicionamos chegar aos 30%”, aponta Vasco Sampaio.
O próximo passo em termos de negócio passa pela empresa atuar como intermediária de crédito, avaliando o risco das frotas e encaminhando-as para financiadoras. A internacionalização não está fora das opções no futuro. Mas não para já. “Não está fora da mesa. Aliás, é sempre uma grande tentação. Mas há que manter o foco. Ainda há muito a percorrer em Portugal antes de começar a internacionalizar”, pondera.
Hoje com cinco pessoas há o objetivo de “fazer crescer a equipa”. “Entre duas a três pessoas para a parte comercial”, estando ainda à procura de “perfis para criadores de conteúdo digital, marketing e vendas”.






