Um grupo criminoso que se apresenta como “Diligência Judicial”, recorrendo a falsos advogados e falsos polícias, é suspeito de extorquir centenas de milhares de euros a pessoas e empresas endividadas ou em dificuldades financeiras, noticia esta segunda-feira o Expresso. Alegadamente, os elementos do grupo realizam penhoras e apreensões de bens por valores muito superiores às alegadas dívidas, chegando a ameaçar as vítimas com armas de fogo para as obrigar a assinar confissões de dívida inexistentes ou simuladas. O dinheiro e os bens serão depois transferidos para empresas controladas pelos suspeitos, através de uma rede de sociedades portuguesas e estrangeiras, incluindo off-shores, destinada a ocultar e branquear os valores obtidos, refere o jornal.
A investigação, conduzida há mais de seis anos pelo DIAP de Lisboa e pela Polícia Judiciária (PJ), ainda não resultou numa acusação do Ministério Público (MP). O grupo terá iniciado a atividade em 2017 e, segundo fonte conhecedora do processo citada pelo semanário, terá continuado a atuar apesar de estar sob investigação. O processo já conta com mais de oito volumes principais e vários apensos bancários, e envolve suspeitas de associação criminosa, extorsão, burla, branqueamento de capitais, abuso de poder, procuradoria ilícita e insolvência dolosa.
Há vários arguidos sujeitos a medidas de coação ligeiras, mas mais de uma dezena de pessoas que integrariam o grupo ainda não são suspeitos formais. Algumas vítimas temem que crimes mais antigos possam prescrever e pediram ao MP que acelere a investigação e reforce os meios da PJ, além de medidas de coação mais severas. A procuradora responsável respondeu que os crimes não irão prescrever nos próximos meses e não acolheu os argumentos relativos ao risco de reincidência.






