A Europa poderá enfrentar uma escassez de lançadores espaciais no final da década, caso a capacidade industrial não acompanhe o crescimento da procura, alerta o diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA) que admite que o continente poderá não conseguir colocar em órbita todos os satélites previstos para os próximos anos recorrendo apenas a lançadores europeus.
“A expectativa hoje é que a Europa tenha uma escassez de lançadores por volta de 2030. Se somarmos todos os satélites que precisam de ser lançados das constelações e missões atuais e planeadas veremos que há um pico nas necessidades de lançamento por volta de 2029, 2030 e 2031“, frisou Josef Aschbacher ao Financial Times.
Ler maisBruxelas reforça IRIS 2 com 66 novos satélitesA pressão resulta do crescimento simultâneo de vários programas espaciais europeus, como a constelação de comunicações seguras IRIS 2, o sistema de navegação Galileo e a rede de observação da Terra Copernicus. A estes juntam-se novas iniciativas nacionais, incluindo projetos de satélites promovidos por países como Alemanha, Grécia, Espanha e Polónia, alguns ligados às áreas da defesa.
O aviso surge numa altura em que a Europa procura recuperar a autonomia de acesso ao espaço, perdida temporariamente após a retirada do Ariane 5 e os sucessivos atrasos do Ariane 6. O novo foguetão europeu só realizou o voo inaugural em julho de 2024, enquanto o Vega-C regressou ao serviço alguns meses depois, em dezembro.
Ler maisESA abre candidaturas para projetos espaciais portuguesesApesar desse regresso, os números continuam a ilustrar a diferença face aos principais concorrentes. Enquanto a SpaceX realizou cerca de 170 lançamentos em 2025, a Europa efetuou apenas oito, mantendo uma capacidade muito inferior à dos Estados Unidos e também da China. A reutilização de lançadores pela empresa de Elon Musk contribuiu para reduzir custos e aumentar significativamente o ritmo das missões.
Perante este cenário, a ESA já iniciou contactos com a indústria para avaliar um reforço da produção dos lançadores europeus. No caso do Ariane 6, o objetivo passa por aumentar a cadência prevista de nove a dez lançamentos anuais para cerca de 15. Estão também em curso conversações semelhantes relativamente ao Vega-C.
“O horizonte temporal é 2035 — as decisões que estamos a tomar agora [serão] desencadeadas por essas reflexões”, aferiu o chefe da Agência Espacial Europeia ao jornal britânico.






