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Estado emprega mais de 768 mil trabalhadores, um novo recorde. Salários aceleram 5,6%

Número de trabalhadores das administrações públicas aumentou 1% num ano e 0,1% face ao trimestre anterior. Remuneração base média subiu 5,6% e ganho médio avançou 5,5% em termos homólogos.

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O Estado atingiu um novo máximo no número de trabalhadores no segundo trimestre de 2026. As administrações públicas contabilizavam 768.378 postos de trabalho no final de junho, segundo a síntese estatística do emprego público divulgada esta sexta-feira pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP). São mais 7.390 trabalhadores do que há um ano, o equivalente a uma subida homóloga de 1%, e mais 895 face ao final do primeiro trimestre, num crescimento trimestral de 0,1%. Este incremento deveu-se sobretudo ao aumento do emprego nos municípios e freguesias.

O novo valor representa o nível mais elevado da série estatística, que remonta a dezembro de 2011. Nessa altura, as administrações públicas tinham 727.701 postos de trabalho. Desde então, o número de trabalhadores aumentou em 40.677, ou seja, 5,6%. A evolução significa que, em cerca de 14 anos e meio, o universo de trabalhadores das administrações públicas cresceu em mais de 40 mil postos de trabalho.

O crescimento registado no segundo trimestre não foi, contudo, transversal a todos os níveis da Administração. Em termos homólogos, a administração central acrescentou 4.144 trabalhadores, para 571.859, correspondendo a uma subida de 0,7%. Já a administração local registou um crescimento mais expressivo, de 2,5%, com mais 3.606 postos de trabalho, para um total de 145.773. Em sentido contrário, houve uma redução de trabalhadores nas administrações regionais dos Açores e da Madeira e nos fundos de Segurança Social.

A administração local é, assim, a principal responsável pelo reforço relativo do emprego público no último ano. O aumento de 3.606 trabalhadores corresponde a uma subida de 2,5%, mais de três vezes superior à variação homóloga de 0,7% registada na administração central. O crescimento local ocorreu sobretudo nos municípios, nos serviços autónomos da administração local e nas freguesias.

Nos municípios, entraram mais 2.507 trabalhadores no espaço de um ano. O acréscimo concentrou-se nas carreiras de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional, que contribuíram, respetivamente, com mais 1.132, 573 e 411 postos de trabalho. Nos serviços autónomos da administração local, o emprego aumentou em 533 trabalhadores, enquanto nas freguesias cresceu em 531.

Na administração central, o aumento de 4.144 postos de trabalho teve como principais motores as áreas governativas da Educação, Ciência e Inovação, Saúde e Defesa Nacional. Na Educação, foram criados 3.118 postos, sobretudo entre assistentes operacionais, docentes do ensino básico e secundário, docentes universitários e técnicos superiores. Na Saúde, o aumento foi de 3.068 trabalhadores, com destaque para enfermagem, médicos e assistentes operacionais. Na Defesa, o acréscimo foi de 863 postos, em grande parte devido às Forças Armadas.

A comparação com o início da série permite perceber melhor a dimensão da evolução. Em dezembro de 2011, a administração central empregava 551.373 pessoas, contra 571.859 atualmente, uma subida de 20.486 postos de trabalho, ou 3,7%. Já a administração regional e local passou de 163.585 para 186.357 trabalhadores, um aumento de 22.772, ou 13,9%.

Dentro da administração regional e local, o crescimento é particularmente acentuado na administração local. Os municípios e restantes entidades da administração local empregavam 124.504 trabalhadores no final de 2011 e passaram para 145.773 em junho deste ano, mais 21.269 postos de trabalho, correspondentes a um aumento de 17,1%.

Em sentido inverso, os fundos de Segurança Social têm hoje menos trabalhadores do que no início da série: passaram de 12.743 para 10.162, uma redução de 2.581 postos de trabalho (-20,3%). Também a administração regional da Madeira está abaixo do nível de 2011, com menos 441 trabalhadores (-2,1%), enquanto os Açores registam mais 1.944 (+11%).

A evolução homóloga é explicada sobretudo pelo reforço de algumas carreiras. O maior crescimento absoluto ocorreu entre os técnicos superiores, com mais 2.854 trabalhadores, equivalente a 3,3%. Seguiram-se os enfermeiros, com mais 1.009, as Forças Armadas, com mais 974, os educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário, com mais 788, e os médicos, com mais 673.

Já entre as carreiras que perderam trabalhadores destaca-se o pessoal de Justiça, com menos 461 pessoas, uma queda homóloga de 4,2%, sobretudo devido a saídas por reforma ou aposentação. Os assistentes operacionais também diminuíram, em 560 trabalhadores, embora a redução percentual tenha sido mais pequena, de 0,3%.

Já a subida entre março e junho, isto é, trimestral, foi bastante mais moderada do que a registada em termos homólogos. O Estado ganhou 895 postos de trabalho num trimestre, dos quais 961 foram criados na administração local. Na administração central, o saldo foi positivo em apenas 103 postos.

A evolução trimestral da administração central esconde movimentos de sentido contrário. A Administração Interna registou um aumento de 1.217 trabalhadores, explicado sobretudo pelo recrutamento a termo de vigilantes da floresta na GNR para as operações de prevenção de incêndios durante o verão e pelo aumento do número de agentes da PSP. Este crescimento compensou as reduções verificadas na Educação, Ciência e Inovação, de 899 trabalhadores, associada ao final do ano letivo, e na Defesa Nacional, de 547.

Os dados relativos aos fluxos de entradas e saídas ajudam também a explicar a evolução do emprego público. Nos primeiros seis meses do ano, as administrações públicas registaram um saldo líquido positivo de 5.783 postos de trabalho, resultado de 54.980 entradas e 49.197 saídas. A administração central teve um saldo positivo de 4.153 postos e a administração local de 1.825.

Entre as saídas, 7.509 trabalhadores deixaram as administrações públicas por reforma ou aposentação no primeiro semestre de 2026. A maioria destas saídas ocorreu na administração central, com 5.633, seguindo-se a administração local, com 1.443, e as administrações regionais dos Açores e da Madeira, com 433 no conjunto.

Salário base médio aproxima-se dos dois mil euros

O aumento do número de trabalhadores é acompanhado por uma aceleração dos salários. Em abril de 2026, mês de referência dos dados remuneratórios do segundo trimestre, a retribuição base média mensal dos trabalhadores a tempo completo das administrações públicas atingiu 1.967,4 euros. O valor representa um aumento de 2,9% face a janeiro e de 5,6% em termos homólogos, ou seja, comparando com abril de 2025.

A DGAEP explica o crescimento por uma conjugação de fatores, incluindo a atualização da retribuição mínima mensal garantida para 920 euros e da base remuneratória da Administração Pública (BRAP) para 934,99 euros, bem como a aplicação das medidas de valorização remuneratória aprovadas para os trabalhadores em funções públicas. A evolução é ainda influenciada pelas entradas e saídas de trabalhadores com diferentes níveis remuneratórios.

Se se considerar não apenas o salário base, mas o conjunto das componentes que integram o ganho mensal, como suplementos remuneratórios, subsídios e horas extraordinárias, o valor médio sobe para 2.342 euros. O ganho médio mensal aumentou 2,7% face a janeiro e 5,5% em termos homólogos.

A diferença entre os dois indicadores explica-se pela existência de componentes adicionais à remuneração base. De acordo com a DGAEP, a subida homóloga do ganho médio resulta do aumento da remuneração base média, mas também de componentes como o subsídio de refeição, suplementos regulares e pagamentos por trabalho suplementar.

Assim, entre abril de 2025 e abril de 2026, o salário base médio aumentou 5,6%, enquanto o ganho médio cresceu 5,5%. Em termos trimestrais, a remuneração base acelerou 2,9% e o ganho médio 2,7%. A evolução mostra que a subida dos salários na Administração Pública não se limita às atualizações das remunerações base, refletindo também a evolução das restantes componentes remuneratórias.

A remuneração base representava, em abril, 84% do ganho médio mensal, ligeiramente acima dos 83,9% registados em janeiro. Os suplementos representavam os restantes 16%. A estrutura varia, contudo, significativamente entre carreiras: no pessoal docente, a remuneração base representava 94,7% do ganho médio, enquanto entre os diplomatas os suplementos chegavam a representar 66,5% do ganho.

Administração central paga mais do que administração local

Os valores médios escondem diferenças significativas entre os vários subsetores da Administração Pública. Na administração central, a remuneração base média atingia 2.128,9 euros em abril, enquanto o ganho médio chegava aos 2.536,9 euros. Em ambos os casos, os aumentos foram de 2,7% e 5,6%, respetivamente, na remuneração base, e de 2,4% e 5,3% no ganho médio, face ao trimestre anterior e ao período homólogo.

Na administração regional e local, pelo contrário, a remuneração base média era de 1.505,8 euros e o ganho médio de 1.788,5 euros. Aqui, a remuneração base cresceu 4,1% em termos trimestrais e 6,2% em termos homólogos, enquanto o ganho médio aumentou 4,2% face a janeiro e 6,8% face a abril de 2025.

A DGAEP salienta que estas diferenças não resultam apenas das políticas remuneratórias aplicadas em cada momento, mas também da própria composição do emprego. Na administração local predominam carreiras como assistente operacional, assistente técnico e técnico superior, que apresentam, em média, remunerações base inferiores à média global das administrações públicas. Já na administração central existe uma maior diversidade de carreiras com remunerações mensais mais elevadas.

No conjunto, os dados do segundo trimestre mostram, assim, duas tendências simultâneas: o Estado continua a aumentar o número de trabalhadores e está também a pagar salários médios mais elevados. O emprego público está 5,6% acima do nível de dezembro de 2011, enquanto a remuneração base média e o ganho médio registam crescimentos homólogos de 5,6% e 5,5%, respetivamente.

(Notícia atualizada às 18h21)

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Comentários (1)

  • Carlos Chaves

    Uhm e não parece que a qualidade e rapidez dos serviços públicos esteja melhor! O sector privado é que tem que sustentar esta aberração, não admira a carga fiscal estar em máximos! Quem diria que este Montenegro foi líder parlamentar do PSD de Passos Coelho, o único governo que os teve sitio para reduzir o "monstro!" Neste aspecto,  e noutros como por exemplo, a ministra do ambiente e energia Maria da Graça Carvalho, este PSD em nada difere do PS! Que triste sina! 

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