O empreiteiro João dos Santos Carvalho, dono da Construbarcelos, não realizou obras apenas no monte de Luís Neves. O empresário, que está no centro da polémica pelas ligações à Polícia Judiciária, fez também intervenções na casa de Álvaro Pires, diretor financeiro da Polícia Judiciária.
Ler maisMinistério da Justiça pede auditoria à Polícia JudiciáriaSegundo avança a CNN Portugal, em conjunto com a TVI e o Nascer do Sol, João dos Santos Carvalho esteve no final do ano passado na Charneca da Caparica a realizar obras na residência de Álvaro Pires. A presença de carrinhas da Construbarcelos no local foi confirmada por vizinhos, apurou a investigação.
O nome de Álvaro Pires já tinha surgido associado ao atrelado apreendido na operação Pacoba que acabou na posse do empreiteiro. De acordo com a investigação, foi o diretor financeiro da PJ quem sugeriu que o equipamento fosse entregue à Construbarcelos, depois de a Marinha ter pedido a sua remoção urgente dos terrenos no Seixal.

Segundo a mesma investigação, registaram-se deficiências nas obras da Construbarcelos na PJ — confirmadas pela própria instituição –, onde se incluem infiltrações, fissuras e falhas elétricas, tendo Luís Neves sido alertado para tal. Apesar disso, a empresa voltou a ser contratada para novas empreitadas. Questionado, o ministro respondeu que este tipo de problemas “infelizmente são comuns em todas as obras” e defendeu que todas as questões foram resolvidas.
Entre os problemas detetados nas obras na Guarda — que também envolveram outra empresa — estão infiltrações, fissuras em tetos falsos e deficiências em instalações elétricas. Segundo esclareceu a PJ, “a Construbarcelos, tal como a Encosta, foram chamadas a resolver as deficiências detetadas e avançaram com as necessárias correções ao abrigo da garantia da empreitada”.
Ler maisLuís Neves vai a julgamento pelo Tribunal de ContasEsta quinta-feira, o Ministério da Justiça pediu uma “avaliação interna” e auditoria à Polícia Judiciária. A tutela diz que serve para “enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas relativamente ao funcionamento interno da PJ e aos processos de avaliação eventualmente instaurados pela Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção”.
Em reação, o Presidente da República, António José Seguro, referiu que tanto esta auditoria como as investigações criminais em curso devem “[produzir] resultados o mais rapidamente possível”, pedindo que “cada um no âmbito das suas competências constitucionais atue de forma a preservar o estado de direito democrático e as instituições da nossa democracia”.
(atualizado às 21h28)






