A Cooperativa Agrícola de Coimbra, que era proprietária do edifício do antigo Grémio da Lavoura, situado junto à desativada Estação Nova, na Baixa da cidade, vendeu aquele imóvel por 5,8 milhões de euros a um fundo imobiliário espanhol.
O edifício icónico situado junto à zona ribeirinha de Coimbra já estava à venda desde 2019, tendo a escritura sido assinada na quinta-feira, disse à agência Lusa o presidente da Cooperativa Agrícola, Pedro Pimenta.
“É um espaço com mais de seis mil metros quadrados de índice de construção, na Baixa, junto ao rio, e era uma pena não ser aproveitado para outras funções”, salientou, referindo que a perspetiva do fundo que comprou o imóvel passa por apostar em habitação, com a reabilitação do edifício de cinco pisos, assim como construção nova na entrada daquela que era a sede da cooperativa, ladeada por pequenos armazéns.
Segundo Pedro Pimenta, ao longo dos sete anos em que o imóvel esteve à venda as propostas que foram surgindo eram baixas, com a Cooperativa a ter como objetivo ter uma venda próxima dos seis milhões de euros.
Para o presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, a concretização do projeto do ‘metrobus’, que está quase a circular naquela zona, e consequente requalificação envolvente, terá motivado um “interesse com maior afinco” nos últimos tempos.
“Antes, sentia-se por parte dos investidores alguma descrença nas obras do Metro Mondego e a Câmara era reconhecida nas últimas décadas por ser burocrática e os investidores tinham sempre algumas reservas”, notou.
Além da possibilidade de circulação em breve do ‘metrobus’, Pedro Pimenta acredita que a suspensão do Plano Diretor Municipal na zona ribeirinha também poderá ter tido alguma influência.
Agora, a Cooperativa Agrícola de Coimbra pretende encontrar uma loja em Coimbra, já que no edifício do antigo Grémio da Lavoura o armazém de venda tinha ainda “alguma expressão”.
Com o encaixe financeiro da venda do imóvel, Pedro Pimenta acredita que vai nascer “uma Cooperativa nova”.
“A Cooperativa tinha algumas responsabilidades bancárias que podem ser aliviadas com este encaixe, seja uma parte ou a totalidade e haverá outros investimentos a fazer, como na nossa unidade de secagem e armazenagem de cereais e nas lojas que temos”, disse.
Para Pedro Pimenta, uma Cooperativa Agrícola de Coimbra com liquidez e sem grandes encargos bancários vai permitir ter “outra capacidade de trabalhar” e de dar outra resposta aos agricultores do Baixo Mondego.
Em 2021, a CDU chegou a propor que a Câmara de Coimbra adquirisse aquele edifício, quando surgiram notícias na imprensa local de que estaria à venda.






