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Eclipse esgota Bragança. Aeródromo preparado para turistas e com atividades nesta quarta-feira

“Capital do eclipse”, Bragança ultima preparativos para receber cerca de sete mil visitantes. Estradas cortadas e aeródromo preparado para acolher a enchente são algumas das medidas da autarquia.

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Por estes dias, Bragança, que já conquistou o título de “capital do eclipse solar”, está no epicentro das atenções por ser o ponto do país onde, nesta quarta-feira, melhor será possível observar este fenómeno. O “cognome” deverá atrair cerca de sete mil pessoas ao concelho, onde a capacidade hoteleira já está esgotada há algum tempo, e o comércio e a restauração registam uma procura acima no habitual, segundo a presidente do município. Isabel Ferreira antecipa, por isso, um impacto económico “significativo”, embora admita não ter uma estimativa em euros.

Para a autarca de Bragança, que 30 anos depois devolveu ao PS a liderança da câmara nas últimas autárquicas, “este é um dia muito especial, uma vez que o concelho tem a oportunidade de viver e presenciar um fenómeno único”.

E a projeção do território no mapa nacional e internacional é bem visível, uma vez que “Bragança já começou a ser apelidada de capital do eclipse solar por ser a única zona do país onde a observação do fenómeno será total”. Este reconhecimento “gerou uma maior procura pelo território”, e, por consequência, “um impacto muito significativo na economia“, salienta Isabel Ferreira ao ECO/Local Online.

Por isso, a autarca não tem dúvidas de que esta é uma excelente oportunidade para projetar a cidade como destino turístico e dar um novo impulso à economia local.

Mas a procura por alojamento já se começou a fazer sentir há vários meses e, de tal forma, que, garante Isabel Ferreira, a capacidade hoteleira do concelho já está esgotada há algum tempo. De referir que esta é uma altura do ano em que Bragança regista um aumento significativo dos 32 mil habitantes com o turismo e o regresso de emigrantes.

Bragança já começou a ser apelidada de capital do eclipse solar por ser a única zona do país onde a observação do fenómeno será total.

Isabel Ferreira

Presidente da Câmara Municipal de Bragança

Além dos “alojamentos esgotados” em Bragança e nos concelhos limítrofes, o impacto deste fenómeno astronómico estende-se também à “restauração e ao comércio, que estão a registar uma dinâmica muito superior à habitual”, nota.

Entusiasmada por o município andar nas bocas do mundo pelas melhores razões, a presidente de câmara decidiu preparar o aeródromo municipal para “receber cerca de sete mil pessoas em segurança”, em alternativa ao Parque Natural de Montezinho, entre as aldeias de Rio de Onor e Guadramil. Precisamente o local onde está previsto observar a 100% o eclipse solar.

Perante o risco de incêndio máximo, a Câmara de Bragança decidiu interditar ao trânsito, entre as 15h00 e as 21h00 desta quarta-feira, a Estrada Municipal 505, que liga a aldeia de Varge à aldeia de Rio de Onor e esta a Guadramil. A exceção à regra é para moradores e turistas alojados nestas localidades.

As razões desta medida? Além do risco máximo de incêndio, a autarca acrescenta ainda as limitações de acesso e estacionamento nas aldeias que não estão preparadas para receber milhares de veículos.

Castelo de Bragança, 14 de outubro de 2017.

Estamos a falar de aldeias muito pequenas, com acessos limitados e, por isso, é que tínhamos limitado inicialmente para ali uma capacidade máxima de duas mil pessoas”, argumenta a autarca em conversa com o ECO/Local Online.

Isabel Ferreira optou, por isso, por deslocalizar para o aeródromo municipal a maioria das atividades inicialmente previstas para as duas aldeias, e onde o fenómeno será visível a 99,8%, entre as 18h30 e as 20h30. Para os interessados é disponibilizado transporte gratuito.

De olhos postos na economia local e na atração de mais turistas, a autarquia preparou um conjunto de atividades que vão transformar o aeródromo municipal num “laboratório vivo” e que se estendem às experiências astronómicas, workshops e conversas com especialistas sobre a temática.

Além do impacto económico imediato, a autarca vê no eclipse uma oportunidade de promoção da identidade e da oferta turística deste território transmontano, dando a conhecer aos visitantes o património, a gastronomia e a cultura da região. Como é o caso da tradição dos caretos que atrai milhares de visitantes ao Entrudo Chocalheiro em Podence (Macedo de Cavaleiros), classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Conquistar os turistas pela boca também serve de mote para uma mostra que por estes dias promove os produtos endógenos da região, como a castanha, o mel, o azeite e o vinho.

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