A Austrália anunciou esta quinta-feira que vai reforçar a supervisão das Big Four de auditoria, na sequência de vários escândalos que abalaram o setor nos últimos anos. O caso mais recente envolve a KPMG, cujos funcionários são acusados de terem utilizado informação confidencial para conquistar contratos.
Segundo a agência Reuters, o Governo instruiu a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC) a reforçar a regulação das empresas de auditoria e contabilidade, aumentando a responsabilização, a transparência e a supervisão do setor.
Embora o executivo não tenha detalhado as novas medidas, já propôs colocar as Big Four sob supervisão direta da ASIC, conferindo ao regulador mais poderes e sanções mais pesadas para combater condutas impróprias. A autoridade anunciou também que irá investigar denúncias sobre práticas de auditoria em todo o setor, mantendo em paralelo uma investigação específica às alegações envolvendo a KPMG.
O Governo australiano admitiu ainda que a separação das atividades das Big Four é uma das opções em análise. Todas as quatro grandes consultoras enfrentaram polémicas recentes no país. Em junho, dois funcionários da EY foram despedidos por alegadamente terem acedido aos dados bancários pessoais do primeiro-ministro.
Já em 2023, a PwC foi envolvida num escândalo por ter divulgado informações confidenciais sobre políticas fiscais para captar clientes. Já em 2025, a Deloitte pediu desculpa depois de um relatório elaborado para um departamento governamental conter informações falsas geradas por inteligência artificial.
Além da supervisão das auditoras, a ASIC recebeu também instruções para reforçar a fiscalização do sistema de pensões, combater práticas de greenwashing e garantir o bom funcionamento das infraestruturas dos mercados financeiros.






