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Chega questiona Governo sobre compra de fragatas

Ministério da Defesa vai processar André Ventura e Pedro Frazão por deturparem factos num publicação nas redes sociais. Chega acusa o Governo reagir “mal ao escrutínio”.

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O Grupo Parlamentar do Chega questionou o Ministério da Defesa sobre a compra das fragatas à italiana Fincantieri, negócio de cerca de 3,9 mil milhões de euros. Entre outras questões, o partido quer saber “quais os bens, serviços, equipamentos e obrigações abrangidos” e quais foram os critérios que ditaram a escolha das fragatas FREMM EVO face a outras propostas, como é o caso das FDI do Naval Group.

Num conjunto de onze questões, endereçadas através da Assembleia da República, o partido quer saber “qual a natureza jurídica exata do instrumento celebrado entre Portugal e Itália em 20 de julho de 2026?”. Ou seja, se “constitui já um contrato definitivo e vinculativo para a aquisição das três fragatas ou um acordo intergovernamental ao abrigo do qual terão ainda de ser celebrados contratos subsequentes”, bem como “que atos contratuais adicionais, designadamente com a Fincantieri ou outras entidades industriais italianas, se encontram ainda por celebrar”.

O Chega quer ainda saber o que está incluído nos 3,9 mil milhões de euros, solicitando a “discriminação, pelo menos por grandes rubricas e salvaguardando a informação classificada, dos montantes destinados à construção e aquisição das plataformas, integração de sistemas, equipamentos e armamento, peças e sobressalentes, formação, apoio logístico inicial, infraestruturas, transferência de tecnologia, sustentação, manutenção, simuladores e sistemas de comunicações, bem como de eventuais reservas para contingências ou mecanismos de atualização de preços”.

Mais, o montante em causa inclui “os custos de sustentação das fragatas durante todo o ciclo de vida mínimo de 30 anos referido pelo Governo ou apenas uma fase inicial de sustentação” ou incluem igualmente “helicópteros orgânicos e outros equipamentos destinados à operação dos navios ou estes serão objeto de aquisições e encargos autónomos?”, questionam.

“Quantas soluções e propostas alternativas foram efetivamente analisadas no processo que culminou na escolha das FREMM EVO? A solução FDI apresentada pela Naval Group foi objeto de uma avaliação técnica e financeira comparável à solução italiana e, em caso afirmativo, quais foram, em termos não classificados, os fatores determinantes que justificaram a opção final?”, quer ainda saber o Chega.

O partido quer ainda saber “como e que parte desse investimento será aplicado na indústria portuguesa?”. “Irá Portugal construir componentes do sistema de armas adquirido? Ficará Portugal com a capacidade instalada para garantir a manutenção, seja ela manutenção programada ou reparação após avaria, dos três navios agora adquiridos? Se sim, em que moldes? Quais são, assim e em concreto, os compromissos vinculativos de retorno industrial para Portugal associados ao acordo?”, questiona o Chega o Ministério da Defesa.

O Chega também levanta questões sobre os mecanismos de fiscalização e controlo financeiro desta operação. “Que mecanismos protegem o Estado português dos principais riscos financeiros e de execução do programa?”, pode ler-se no documento.

Mais, “que mecanismos de fiscalização, auditoria e controlo financeiro foram ou serão aplicados a esta aquisição, designadamente pela Inspeção-Geral da Defesa Nacional e, quando legalmente aplicável, pelo Tribunal de Contas ou por outras entidades de controlo externo?”.

Defesa processa Ventura

Entre as questões levantadas pelo partido está a notícia avançada por um órgão de comunicação social na sexta-feira sobre o alegado afastamento de uma empresa portuguesa na mediação desta operação.

Na sequência da notícia, o Chega partilhou nas suas redes sociais um vídeo de André Ventura a pedir uma investigação sobre o destino de “várias dezenas de milhões” de euros que, segundo disse, deviam ter sido usados para pagar comissões. Também o deputado Pedro Frazão, num vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia falando de “mais um escândalo” do Governo e de um negócio associado a “sérias dúvidas de honestidade e de integridade”.

O Ministério da Defesa já reagiu e avançou que vai processar o media em causa, bem como os dois deputados do Chega. Num comunicado divulgado esta segunda-feira, o Ministério da Defesa acusa os dois dirigentes do Chega de terem ultrapassado “todos os limites do combate político”, sustentando que “mentiram premeditadamente, deturparam factos e fizeram afirmações gravemente lesivas do bom nome, honra e consideração” do Ministério.

Por seu turno, André Ventura diz que a decisão do ministro da Defesa de o processar, bem como ao deputado Pedro Frazão, demonstra “opacidade e arrogância” e revela que o Governo “reage mal ao escrutínio”. Em comunicado, o líder do Chega diz ter sabido “com enorme estupefação da intenção do ministro da Defesa de intentar um processo judicial” ao que disse ser a intenção do partido de “escrutinar o negócio de quatro mil milhões de euros para a compra de três fragatas, recentemente concretizado pelo Governo português”.

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Comentários (2)

  • André Monedo

    O Chega quer 100% dos dados, sobre TUDO, o que vai ser construído, nas fragatas!!! Dimensões, do casco, toda a planta, incluindo que tipos de armamento vai usar, que blindagem tem, que aviões/helicópteros vão usar, que tipo de refeitório terá, quantos WC, quantos quartos de oficiais (Pedro Frazão exigiu 50 quartos!!!!)… querem tudo, depois foram multados em 830000 euros, por causa de 6,8 milhões, doados, por desconhecidos, em lojas payshop, com pagamentos de 2995 euros, em vários casos, mais de 500 doações feitas, no mesmo dia, na mesma loja (em Setúbal, Braga e Portalegre, onde há algo engraçado, com 99,99991% do volume de pagamentos, payshop, feitos num mini-mercado, foram doações, para o Chega, em Dezembro de 2025). Em vários casos, é engraçado ver listagens, que o Chega garante serem os doadores, em que 783 pessoas do Porto, Braga, Viseu, Guarda, Elvas, Aljezur, Faro, Albufeira, Lisboa, Almada… foram a Portalegre, doar 2995 euros, cada! no mesmo dia! Não há nenhuma informação sobre terem feito, algum, congresso em todo o país… e André Ventura estava, em Albufeira, para um jantar, da campanha eleitoral, após regressar, de Itália. 

  • joaquim

    É aeroporto, é TGV, é caças americanos, é fragatas…é tudo à grande! Alegremente a caminho da bancarrota!

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