O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu esta sexta-feira que a autoridade do ministro da Administração Interna não pode estar “fragilizada”, uma vez que é quem tem a tutela das forças que aplicam a lei.
“Ora, para que os cidadãos possam cumprir a lei que lhe vêm imposta pelas forças da autoridade, pois com certeza quem é titular da pasta tem de ser exemplar em todos os domínios de aplicação da lei“, disse José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas transmitidas pela RTP Notícias, após ser instado a comentar as recentes polémicas em torno de Luís Neves.
Ler maisEmails da PJ põem em causa explicações de Luís NevesO secretário-geral do PS considerou que é necessário averiguar em que termos é que as viaturas públicas foram utilizadas pelo ministro da Administração Interna para saber se há crime ou não, em alusão à notícia de que o governante utiliza fora de serviço um Volkswagen Golf GTD que pertence ao parque de veículos apreendidos da Polícia Judiciária (PJ).
“Se não houver uma boa explicação, poderiam estar perante um crime de peculato de uso“, disse José Luís Carneiro.
Escusando-se a responder se Luís Neves tem ou não condições para continuar no Governo, o líder socialista realçou que a responsabilidade cabe ao primeiro-ministro. “Nós não pedimos admissão dos ministros. Não fazemos esse favor ao primeiro-ministro. O primeiro-ministro é que escolhe a sua equipa e é quem entende se ela tem condições para estar no Governo ou não“, argumentou.
“O primeiro-ministro, que é o responsável máximo pela equipa do Governo é que tem de decidir se quer manter ou não os membros do Governo. Não é só este caso: é o da saúde, da educação, do trabalho”, referiu, garantindo que quando chegar a hora das eleições é com Montenegro que vai disputar o cargo e não com os atuais ministros.
Uma coisa é certa: Carneiro sublinha que o princípio da presunção de inocência é um princípio que deve “prevalecer” na sociedade. “É também legítimo dar o direito de defesa e do contraditório a quem é objeto do respetiva avaliação ou escrutínio”, acrescenta, salientando que cabe a Montenegro o dever de garantir a integridade da autoridade política dos membros do Governo.
As polémicas em torno de Luís Neves aumentaram esta sexta-feira com novos dados revelados pelo Nascer do Sol. O alegado orçamento de 150 mil euros referido pelo ministro da Administração Interna para a destruição de um atrelado e respetivo material apreendido, que foram encontrados à guarda da Construbarcelos, abrangeria, afinal, bem mais do que o sugerido pelo Luís Neves na conferência de imprensa em que prestou esclarecimentos sobre o caso.






