A Capwatt já não vai construir uma fábrica de metanol renovável em Mangualde, no âmbito da agenda mobilizadora que lidera – a H2Driven. A unidade será mais pequena e na Carregueira foi a nova localização escolhida, apurou o ECO. A agenda tem prevista ainda a construção de uma unidade de hidrogénio verde na Ota, mas este projeto está a cargo de um parceiro. Esta redução de ambição traduziu-se na perda de 43,3 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nesta agenda.
“A unidade de metanol renovável prevista no âmbito do H2Driven foi ajustada em termos de localização e dimensão de forma a responder aos timings aplicáveis ao projeto”, disse ao ECO fonte oficial da Capwatt, sem adiantar mais informações sobre estes ajustamentos.
A H2Driven é a segunda agenda com a maior revisão em baixa em termos de financiamento, na sequência da reprogramação das agendas mobilizadoras – uma reprogramação que se traduziu num reforço de 319 milhões de euros, sendo que foi no setor da aeronáutica e do espaço que esse reforço foi mais significativo – 369,94 milhões de euros.
A unidade de metanol renovável prevista no âmbito do H2Driven foi ajustada em termos de localização e dimensão de forma a responder aos timings aplicáveis ao projeto.
Apenas a área da energia reviu em baixa a sua ambição, num reflexo da evolução do mercado, mas continua a ser uma das áreas mais relevantes em termos de apoio (a terceira maior). “Um setor que apostou muito em novas tecnologias, em novas soluções energéticas, designadamente hidrogénio, e o que se verificou é que o mercado não está lá, as tecnologias não estão tão maduras e, do ponto de vista da boa gestão, fez-se uma reavaliação do investimento, optando por um ritmo mais seguro e sustentado”, explicou, na altura, ao ECO o presidente do IAPMEI.
A H2Driven, que tem como objetivo inicial a produção de metanol verde para a descarbonização da indústria e da mobilidade pesada, que representam a fatia mais significativa das emissões diretas e indiretas nacionais de CO₂, já sofreu várias vicissitudes, desde logo a mudança de líder. Inicialmente, a Efacec era a líder do consórcio que reunia 14 parceiros, mas a “reorientação estratégica” do grupo, depois de ter sido comprado pelo fundo alemão Mutares, ditou a saída desta agenda para concentrar as energias na segunda em que estavam também – a Aliança para a Transição Energética (ATE), tal como explicou no ECO dos Fundos Rui Lameiras, responsável de gestão de produto da Efacec.
As mudanças na economia mundial levaram à disrupção completa das cadeias logísticas e à mudança do mercado que, associadas à falta de maturidade de algumas tecnologias e de matérias-primas — neste caso estrume –, levaram a Capwatt a aproveitar a reprogramação do PRR para rever em baixa a ambição da sua agenda.
A agenda abriu mão de 43,3 milhões do PRR, ficando agora com 50,16 milhões de euros para “construir em Portugal uma cadeia de valor fiável de metanol renovável, contemplando todo o ciclo de vida, desde a investigação, engenharia, construção, logística e comercialização”, como era explicado na ficha de apresentação da agenda.
Apesar de manter o compromisso de cumprir dois produtos e serviços (PPS) para receber este apoio, na verdade, os PPS não são os mesmos já que saiu um e entrou outro, ao que o ECO apurou, o que também justifica a redução do incentivo.
Claro que a razão primordial é o ajustamento da localização e dimensão da unidade de metanol que inicialmente estava prevista para Mangualde, mas agora será criada na Carregueira. No entanto, a Capwatt vai manter a construção da unidade em Mangualde, mas será levada a cabo fora do âmbito do PRR, porque os prazos não eram consentâneos com os limites temporais da bazuca, apurou o ECO. Depois a unidade de Hidrogénio Verde será construída na Ota. À semelhança do que aconteceu com a Prio, dificuldades ao nível do licenciamento também estiveram na origem da mudança de localização. A Prio, tal como o ECO já avançou, foi a agenda mobilizadora que fez a maior revisão em baixa em termos de ambição — uma redução de 76,64 milhões de euros nos apoios do PRR — já que optou por não construir uma fábrica para a produção de biocombustíveis avançados, no âmbito da agenda mobilizadora M-ECO2. “O projeto não será concretizado nos moldes em que estava inicialmente concebido”, confirmou ao ECO fonte oficial da Prio.
Já a agenda Moving2Neutrality liderada pela Petrogal foi a única que reviu em baixa o número de produtos e serviços que se compromete a concluir: em vez de seis passam a ser apenas dois. Em causa está a suspensão do projeto de construção de estações de abastecimento de hidrogénio, tal com o ECO avançou, que se traduziu na perda de 9,16 milhões de euros — a quarta maior quebra entre as agendas que pediram reprogramação.
(Notícia atualizada às 10h00 com a precisão da localização das duas unidades: metanol renovável na Carregueira e hidrogénio verde na Ota)






