
É considerada a conferência de cibersegurança de referência do setor e a luso-americana Opnova IA acaba de emergir como vencedora da Global Startup Spotlight da Black Hat 2026, nos Estados Unidos. “A tecnologia que ganhou em Las Vegas foi construída em Portugal.”
“O impacto mais tangível é a credibilidade junto de compradores, grandes bancos e empresas reguladas. Cerca de 80% dos nossos clientes são bancos americanos regulados, onde qualquer decisão passa por comités de risco e por avaliações de segurança longas. Um prémio atribuído por um júri de CISO encurta a fase de desconfiança inicial, que é sempre a mais lenta do ciclo de venda”, aponta Pedro Saleiro, o Chief AI Officer da Opnova IA, ao ECO/eRadar.
“O segundo é acesso a capital. A final global foi julgada, entre outros, por partners dos maiores fundos especializados em cibersegurança e IA. O terceiro é atração de talento. Competimos por engenheiros de IA e de sistemas com empresas maiores e com mais recursos do que nós. Uma vitória global na Black Hat ajuda a explicar porque é que vale a pena entrar numa startup com apenas dois anos de existência”, sintetiza o ex-Feedzai e cofundador da startup, juntamente com José Luís Pereira (presidente e CTO), Tiago Melo (Chief Architect) e Sinan Eren (CEO).
A startup — com sede nos EUA mas com o seu hub tecnológico no Porto — arrancou há cerca de dois anos com o objetivo de ajudar as empresas a reduzir processos de IT repetitivos que levam a perdas de horas de produtividade. Agora superou outras startups na competição da Black Hat.
Pedro Saleiro conta como tudo aconteceu. “Ganhámos as duas competições no mesmo dia. Primeiro a final EUA, onde éramos quatro finalistas escolhidos entre centenas de candidaturas, e depois a final global, disputada este ano pela primeira vez“, começa por contar.
“A final global não é uma competição aberta. Só entram os vencedores das conferências regionais da Black Hat, e este ano juntou a Legion Security (Canadá), a Sahl (Médio Oriente e África), a Geordie AI (Europa), a Prowler (Ásia) e a Opnova pelos Estados Unidos”, descreve.
Uma vitória com significado para a empresa, sobretudo, por quem avalia. “A Black Hat é a conferência de referência da indústria de cibersegurança e o júri é composto por CISO (Chief Information Security Officer) de grandes empresas e por investidores especializados no setor. Não é um prémio de ideias nem de pitch. É um escrutínio técnico muito crítico, feito por quem compra e por quem investe neste mercado, a startups que já têm produto em utilização em clientes institucionais”, destaca.
Mas não só. “Três dos quatro fundadores da Opnova são portugueses e o núcleo de engenharia I&D da empresa está no Porto. A tecnologia que ganhou em Las Vegas foi construída em Portugal”, realça com orgulho.
Mercado foco: EUA
Com clientes nos Estados Unidos, Japão e Portugal, a Opnova tem como mercado principal os EUA, com foco em banca e serviços financeiros regulados.
“Temos mais de uma dúzia de bancos em produção e outros tantos em fase final de negociação. O nosso maior cliente é um dos 40 maiores bancos americanos, onde através da Opnova vão conseguir uma poupança estimada de 11.500 horas por ano em trabalho de IT manual em gestão de identidades. O Live Oak Bank foi o nosso primeiro cliente e continua a ser um design partner preferencial”, detalha Pedro Saleiro.
“Temos também clientes fora da banca, em seguros e grandes conglomerados. O crescimento tem sido muito acelerado desde que começámos a vender, em outubro de 2025, e vem de duas frentes: novos bancos e, sobretudo, expansão dentro dos clientes que já temos, que começam com um conjunto restrito de aplicações críticas e vão alargando o âmbito”, descreve.
Ler maisSecretas querem tutelar a cibersegurançaAtualmente, a startup tem 20 pessoas espalhadas em três geografias. “A operação comercial está nos Estados Unidos (São Francisco e Boston), as equipas de engenharia, IA e investigação estão no Porto, e temos consultores de IA no Japão (Tóquio)”, adianta. E querem reforçar. “Em Portugal, iremos recrutar nas áreas de IA, engenharia de sistemas, frontend e cloud infra até ao final do ano.”
A empresa já levantou cinco milhões de dólares até agora, em pré-seed. “Não temos anúncios a fazer sobre novas rondas neste momento. Nas horas seguintes à vitória, temos recebido um interesse extraordinário por parte de investidores e de potenciais clientes“, diz apenas quando questionado sobre potenciais novas injeções de capital.






