
A “Fosun está satisfeita com o investimento no BCP”, mas a possível saída do grupo chinês não assusta o banco português, que admite que “alguns investidores institucionais” estarão disponíveis para investir e ocupar o seu lugar na estrutura acionista. “Vemos um grande interesse”, admitiu o administrador financeiro, Miguel Bragança, numa conferência com analistas.
Nos últimos meses cresceram os rumores de que a Fosun poderá vender a sua participação de 20,5% no BCP [eco_stock label=”BCP” index=”34293718,51,814″ type=”inline”], perante a possibilidade de realizar um importante encaixe financeiro para um grupo a precisar de abater uma elevada dívida, depois da forte valorização das ações do banco desde a pandemia.
Mas quem estaria disponível para comprar a participação à Fosun? E o banco ficaria à mercê de um movimento de M&A?
Essas questões foram colocadas por uma analista na conference call realizada pelo BCP no dia 30 de julho, um dia depois de ter apresentado uma subida dos lucros para 566 milhões de euros no primeiro semestre.
Em resposta, Miguel Bragança começou por declarar que a Fosun se comporta de forma muito parecida como um investidor institucional. “A relação que temos com a Fosun é uma relação em que falamos de questões financeiras, sobre o ROE, sobre a criação de valor para o acionista, da mesma forma que falamos com outros investidores”, contou.
“Sabemos que eles estão satisfeitos com o investimento no BCP”, prosseguiu, lembrando, ainda assim, que o grupo chinês não detém uma posição de controlo. “Portanto não é um tema de M&A”, frisou.
De seguida, Miguel Bragança assegurou que haverá interessados no banco caso a Fosun decida sair: “Felizmente, por causa da equity story que temos, alguns investidores institucionais que provavelmente estarão disponíveis também para investir no BCP. Vemos um grande interesse nos títulos do BCP”.
E rematou: “Se, por algum motivo específico, [os chineses da Fosun] quiserem investir noutro lugar em vez do BCP, temos de garantir que entregamos valor e que somos uma opção de investimento atrativa para outros investidores que consideramos potenciais”, salientou ainda.
O ECO questionou o BCP sobre quais os investidores institucionais estão interessados em investir, se o Estado através do fundo soberano que o Governo anunciou em junho para adquirir participações em empresas e bancos estratégicos, ou a Ageas, seguradora que estará a avaliar entrar no capital do banco, como o ECO avançou.
“Não comentamos sobre investidores específicos ou cenários de mercado. O que podemos dizer é queremos continuar a ser um bom investimento para os acionistas”, respondeu fonte oficial da instituição, reforçando que a equipa de gestão está focada em potenciar “fatores que suportam o interesse de uma base acionista diversificada”.
Na apresentação dos resultados, o CEO do banco, Miguel Maya, já tinha abordado o tema do fundo soberano. “O Estado decidirá se o BCP é estratégico, se quer ter uma participação. (…) O que eu posso garantir é que a gestão do BCP vai permanecer muitíssimo profissional, alinhada com o que é o core dos acionistas privados”, disse.
Felizmente, por causa da ‘equity story’ que temos, alguns investidores institucionais que provavelmente estarão disponíveis também para investir no BCP. Vemos um grande interesse nos títulos do BCP. (…) Se, por algum motivo específico, [os chineses da Fosun] quiserem investir noutro lugar em vez do BCP, temos de garantir que entregamos valor e que somos uma opção de investimento atrativa para outros investidores que consideramos potenciais.
Chuva de revisões em alta após resultados
Indiferente à indefinição acionista, se a Fosun continua ou não, o BCP continua em grande forma na bolsa. Desde o início do ano valoriza mais de 20%, um desempenho que se encontra alinhado com o setor europeu.
Para trás parece ter ficado o rótulo de ‘penny stock’ e agora os analistas apontam voos mais altos: 1,25 euros é o preço alvo mais elevado atribuído ao banco por parte do Caixabank BPI, com um potencial de valorização de 14% em relação à cotação de fecho desta segunda-feira (1,1%).
O Caixabank foi apenas uma da mais da dezena de casas de investimento que reviram a avaliação do banco em alta desde que o BCP anunciou os resultados no final do mês passado.
“Recuperação doméstica estelar e expansão robusta do crédito impulsionam os lucros” é como o analista do Deutsche Bank – que na semana passada melhorou o preço alvo do BCP dos 1,1 euros para 1,18 euros — avalia as contas do primeiro semestre.
“Combinado com eficiência de ponta, resiliente qualidade de ativos e um custo de risco firmemente controlado, esperamos agora que o negócio em Portugal ultrapasse os 1,1 mil milhões de euros de lucro líquido até 2027, acima das expectativas anteriores e mantendo-se como o principal contribuinte para os lucros, representando cerca de 80% dos lucros do grupo em 2026”, escreveu Alfredo Alonso, responsável do banco alemão.





