A obra de Lourdes Castro é uma meditação contínua sobre o que fica quando algo passa. A sombra, o contorno, a silhueta – não como registo mimético do mundo, mas como duplo das coisas. Ela não representava a garrafa: representava a sombra da garrafa. Não representava a pessoa: representava o contorno que essa pessoa deixava atrás de si. É uma distinção subtil, mas é tudo.
É também um capítulo onde se fala da impermanência como matéria artística, dos herbários em hélio-gravura que se degradam com a luz do sol, dos lençóis bordados com silhuetas de corpos adormecidos, e de como cuidar de um jardim pode ser, em si mesmo, um ato artístico. E ainda do Teatro das Sombras, desenvolvido com Manuel Zimbro – ele a luz, ela a sombra, cada um a fundamentar a existência do outro.
Por Delfim Sardo, com música original de Paulo Furtado.
Moderação de Paulo Padrão.
Produção por Diogo Simões.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts.






