O trabalho de Gabriela Albergaria parte de um paradoxo: para falar de natureza, ela começa pelo jardim — que é exactamente o oposto da natureza. O jardim é uma construção, uma imposição de ordem, um desejo humano de domesticar aquilo que não pode ser domado. É a partir desse gesto de controlo — sempre falhado, sempre insuficiente — que a sua obra se vai construindo. Não se trata de celebrar a natureza, mas de perceber como a representamos, como a organizamos, como a violentamos.
As suas obras são objetos que guardam memória: de como as plantas viajaram, de como foram catalogadas, de como a natureza foi sendo convertida em recurso. Os galhos apanhados na praia, as sementes recolhidas numa expedição à Amazónia, as folhas passadas a bronze — tudo isso compõe um sistema de catalogação que não é científico nem é completamente pessoal. É sensível. É estético. É idiossincrático.
Por Delfim Sardo, com música original de Paulo Furtado.
Moderação de Paulo Padrão.
Produção por Diogo Simões.
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