Assumiu o cargo há dois anos com um mandato simples: automatizar. Fez ao contrário — começou pela formação, e só depois olhou para os processos.
Porquê começar pelas pessoas e não pela tecnologia?
Porque a tecnologia chega sozinha. As pessoas não. Os dados do Eurostat sobre competências digitais dizem-no melhor do que eu. Se automatizar primeiro, passo os anos seguintes a gerir medo, e ninguém melhora um processo que julga que o vai despedir.

Quantas pessoas passaram pela formação?
Todas. Quatro mil pessoas, em módulos diferentes conforme a função. Custou cerca de 1% da massa salarial anual e foi o melhor dinheiro que gastámos, ainda que não consiga pôr isso num relatório trimestral.
Ler mais«Construir mais não chega se continuarmos a construir para o mesmo comprador»Houve saídas?
Houve mudanças de função. Há equipas que hoje fazem trabalho que não existia no organograma de 2024. Saídas houve as normais, e não consigo atribuí-las a isto com honestidade.

Rafael Mendonça Aires
Responsável de transformação digital
“
Quem escrever agora as regras internas vai definir a produtividade da próxima década. Quem esperar pela regulação vai aplicar as regras de outros.”
O que é que ainda não conseguiu automatizar?
Tudo o que exige julgamento com informação incompleta. E é aí que está a maior parte do trabalho que interessa — a ferramenta é boa a fazer, continua fraca a decidir se vale a pena fazer.
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