O lucro líquido da Galp disparou 68%, em termos homólogos, para 682 milhões de euros no terceiro trimestre deste ano, impulsionado pela subida dos preços do petróleo e da margem de refinação, anunciou a empresa esta segunda-feira em comunicado divulgado no site da CMVM.
Ler maisGalp e Moeve falham acordo para fundir negóciosA estimativa média de 18 analistas, divulgada pela Galp no site de relações com investidores, apontava para um lucro líquido de 634 milhões de euros.
“O aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil para um novo recorde, o forte desempenho das exportações e as atividades de trading de petróleo e gás nos mercados internacionais impulsionaram o resultado líquido ajustado”, explicou a empresa.
No conjunto dos nove meses até final de setembro, o lucro líquido da petrolífera também fixou um novo máximo de sempre, com uma subida de 54% para 1.494 milhões de euros face aos 973 milhões do mesmo período do ano passado e que já tinha sido um novo recorde.
“Estes resultados são o reflexo de uma estratégia de crescimento sustentada, da coragem para investir em momentos decisivos, da qualidade dos ativos que desenvolvemos e da disciplina com que as nossas equipas executam projetos complexos ao longo de vários anos”, afirmou a co-CEO Maria João Carioca, citada no comunicado.
Ler maisAções da Galp afundam na maior queda desde dezembro de 2025“Os resultados da Galp são construídos ao longo de anos, não de trimestres”, sublinhou. “Embora beneficiemos atualmente das condições de mercado em alguns segmentos, os indicadores refletem essencialmente opções estruturais de crescimento e transformação que a Galp tem vindo a executar de forma disciplinada ao longo de décadas.”
A petrolífera anunciou a 12 de outubro, no trading update, que a margem de refinação disparou 255,79% no terceiro trimestre para 33,8 dólares por barril – um nível nunca antes atingido num trimestre – face aos 9,5 dólares do mesmo trimestre do ano anterior. O preço do barril de Brent, principal referência para a Europa, avançou 42% no terceiro trimestre, suportado por uma nova escalada da guerra no Médio Oriente.
“Mais uma revisão” das metas
“A Galp beneficiou da significativa melhoria das margens de refinação internacionais que, nos nove meses, se situaram em 22,1 dólares por barril (e em 34 dólares no trimestre), devido à elevada disponibilidade dos equipamentos da Refinaria de Sines, que no trimestre operou perto da sua capacidade máxima”, reconheceu a empresa esta segunda-feira.
“A solidez do nosso desempenho operacional ao longo dos primeiros nove meses do ano, a par de uma perspetiva macroeconómica mais precisa para os próximos meses, reforça a nossa confiança para o resto de 2026 e justifica mais uma revisão em alta das nossas
previsões para o ano inteiro“, explicaram os co-CEO Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva, no comunicado.
A 27 de julho, na divulgação dos resultados do primeiro semestre, a Galp a petrolífera atualizou as metas, esperando alcançar quatro mil milhões de euros de EBITDA este ano, num aumento significativo face à previsão anterior, que apontava para os 2,6 mil milhões como o limite mínimo para o EBITDA de 2026.
Esta segunda-feira, a Galp atualizou essa meta de EBITDA para 2026, para perto de 5 mil milhões de euros.
Aumentos da produção e preços “decisivos”
A Galp informou que a produção de petróleo no Brasil atingiu os 131 mil barris diários com o ramp-up da produção do campo Bacalhau, onde a Galp tem há um ano em operação a maior e mais recente unidade flutuante de produção das 13 em que participa em águas profundas do pré-sal brasileiro.
Este aumento da produção, aliado a um aumento do preço médio do Brent, dos 70,9 dólares para os 93,9 dólares por barril, “foi decisivo para que o resultado ajustado a custo de substituição (RCA) antes de juros, impostos, depreciação e amortizações do Upstream tenha aumentado 67% para 2 mil milhões euros nos nove meses em relação ao período homólogo.”
“Este valor representou mais de metade do EBITDA total da Galp nos nove meses até ao final de setembro,”, vincou.
Entre julho e setembro o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) avançou 67% para 1.522 milhões de euros. A estimativa média de 16 analistas apontava para um EBITDA de 1.474 milhões de euros. Nos nove meses até setembro o EBITDA avançou 54% para 3.737 milhões de euros.
“No total, os resultados operacionais com origem nos mercados internacionais representaram 91% do EBITDA total da Galp, com destaque para as exportações, cujo contributo nos nove meses mais do que triplicou, para 640 milhões de euros”, acrescentou a empresa.
A divulgação dos resultados ocorreu pouco momentos após a Galp ter anunciado que encerrou as negociações com a espanhola Moeve com vista a fundir os negócios de refinação e distribuição sem chegar a acordo.
“Embora as negociações com a Moeve relativamente a uma eventual fusão dos nossos negócios downstream tenham terminado sem que se tenha chegado a um acordo, a orientação estratégica e a proposta de investimento da Galp permanecem inalteradas“, referiram Maria João Carioca e o co-CEO, João Diogo Marques da Silva, no comunicado dos resultados.
As ações da Galp valorizaram 56,9% desde o início de 2026, tendo fechado a sessão de sexta-feira nos 22,96 euros cada.
(Notícia atualizada às 07h35 com mais informação e citações)
