A compositora, cantora, atriz, filantropa… e empresária norte-americana Dolly Parton morreu esta terça-feira, aos 80 anos, anunciou o sobrinho Brian Seaver, em nome da família, através de um vídeo nas redes sociais. A família organizar-lhe-á uma pequena cerimónia de despedida.
“Dolly abriu portas a gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os caminhos da vida e por todos os continentes. Seguindo o seu exemplo, acreditámos que tudo era possível”, afirmou Seaver, responsável pela segurança de Parton nas últimas duas décadas, depois de o pai já ter exercido o cargo.
A cantora nasceu numa zona rural do estado norte-americano do Tennessee, em 1946, Dolly Parton era uma de 12 irmãos e o pai pagou à parteira que a ajudou a nascer com um saco de milho, como contou na sua autobiografia, citada pelo Financial Times. Um tio ofereceu-lhe uma guitarra aos 7 anos e foi assim que aprendeu a fazer música, conta a CNN.
Dolly Parton era “conhecida pelas suas curvas voluptuosas, perucas loiras volumosas e roupas justíssimas que refletiam o seu humor autodepreciativo, foi uma das personalidades mais acarinhadas da música e de outros meios — uma celebridade rara cujo apelo transcendia gerações, geografia e política“, escreve a agência noticiosa Associated Press.

Apelidada de “Rainha da Country”, conciliou a carreira musical com a representação, tendo sido por duas vezes nomeada para os Globos de Ouro, e o seu programa de literacia “Imagination Library” doou mais de 150 milhões de livros a crianças.
Dolly Parton estreou-se em disco em 1967 com o disco “Hello, I’m Dolly”, primeiro de 50 álbuns de estúdio. Ao longo da carreira recebeu 11 prémios Grammy e três prémios Emmy, um Óscar honorário humanitário e um Tony.
O jornal britânico The Guardian, por seu turno, escreve: “Tão talentosa que escreveu duas das maiores canções do século XX — ‘Jolene’ e ‘I Will Always Love You’ — num único dia“. As duas canções fazem parte do 13.º de Dolly Parton, lançado em 1974, e conheceram, ao longo das décadas seguintes várias versões. Jolene foi cantada por Miley Cirus e Beyoncé. Whitney Houston tornou I Will Always Love You num êxito de escala mundial, que terá recaudado cerca de 20 milhões de dólares em direitos de autor, segundo a Inc.
Em ambos os casos, e em todas as canções do seu catálogo, os direitos de autor destas canções ficaram sempre do lado de Dolly Parton. Como resume a publicação, “Parton é dona do cria”. “O seu catálogo inclui mais de 3.000 canções, avaliadas em cerca de 120 milhões de dólares, cujos direitos de autor revertiam diretamente para a artista”. Segundo a Bloomberg, enquanto empresária, Dolly Parton esteve à frente da criação da Dollywood, um parque temático que se tornou a atração turística com mais bilhetes vendidos do Tennessee e o maior empregador do seu condado natal, Sevier. Vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo e acumulou uma fortuna estimada em 450 milhões de dólares, segundo a Forbes. forbes.com
Com um catálogo com centenas de canções, Dolly Parton obteve o recorde de 25 ‘singles’ número 1 na tabela ‘country’ dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com “9 to 5”, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980 e a nomeação para melhor canção nos Óscares. A canção era também nome do filme que protagonizou ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin e valeu-lhe uma nomeação para os Globos de Ouro.
Nos anos 2000, com o agente, Sandy Gallin, fundou a produtora Sandollar Productions, que viria a ser responsável pela série “Buffy, a Caçadora de Vampires”, os dois filmes de “O Pai da Noiva” e o remake de “Sabrina”.
Durante a pandemia, financiou o desenvolvimento da vacina da Moderna e doou um milhõa de dólares à investigação sobre coronavírus na Universidade de Vanderbilt, em Nashville.
Emprestou também o seu nome a um conjunto de parques de diversões, Dollywood, próximo de Nashville, no estado do Tennesse. “O legado duradouro de Dolly vai muito além da sua música e generosidade, abrangendo também a sua extraordinária ética de trabalho, uma inspiração para pessoas de todo o mundo”, pode ler-se numa mensagem publicada no site destes locais, garantindo que vão manter-se de portas abertas, “como Dolly desejava”. E rematam: “Juntos, prestamos-lhe homenagem dando continuidade à sua mensagem de amor, perseverança e esperança”.
Foi casada com o empresário Carl Dean de 1966 até à sua morte, em 2025, e escreveu-lhe uma canção: “If You Hadn’t Been There”.






